A RD Station apresentou uma nova abordagem para integrar marketing, vendas e atendimento em torno dos dados e da jornada do cliente.
Batizado de Marketing Contínuo, o conceito foi um dos principais temas do Mundo RD Station, realizado entre os dias 3 e 5 de agosto, em Florianópolis.
A proposta é substituir operações fragmentadas, nas quais diferentes departamentos mantêm informações e estratégias próprias, por um sistema em que os dados sobre os clientes circulam entre as áreas e ajudam a orientar novas interações.
A apresentação ocorre em um momento no qual a inteligência artificial amplia a capacidade das empresas de produzir conteúdo, analisar informações e automatizar tarefas, mas também aumenta a discussão sobre como transformar essa tecnologia em relacionamento e receita.
“Marketing não é o que uma área faz, é a percepção de valor que a empresa constrói em cada interação com o cliente”, afirmou Gustavo Avelar, vice-presidente da TOTVS à frente da RD Station.
O que é Marketing Contínuo?
O conceito apresentado pela RD Station parte da ideia de que marketing não deve terminar quando um lead é entregue ao departamento comercial ou quando uma venda é concluída.
Marketing, vendas e atendimento passam a compartilhar informações sobre o cliente e utilizar os aprendizados obtidos em cada etapa para orientar as próximas interações.
A metodologia apresentada durante o evento foi dividida em quatro pilares:
Contexto profundo: diferentes áreas da empresa devem compartilhar uma visão ampla sobre o mesmo cliente.
Comportamento previsível: as ações devem responder ao contexto e ao comportamento do consumidor, em vez de depender apenas de jornadas previamente estabelecidas.
Crescimento em espiral: cada nova interação deve aproveitar informações obtidas nas anteriores, aumentando as oportunidades de geração de valor e receita sem depender exclusivamente da aquisição de novos clientes.
Informação conectada: os dados deixam de ficar restritos a departamentos específicos e passam a fazer parte da inteligência da organização.
A ideia é utilizar o histórico das interações para tornar marketing, vendas e atendimento partes de uma mesma estratégia de crescimento.
IA muda marketing, mas confiança continua no centro
A inteligência artificial também ocupou parte importante das discussões do Mundo RD Station.
Durante o keynote “O óbvio, o novo, e não é só IA”, Avelar defendeu que as empresas precisam olhar além da adoção das novas ferramentas e continuar trabalhando fundamentos relacionados ao conhecimento do cliente e à construção de valor.
A discussão ganhou outra perspectiva com Wil Reynolds, fundador e CEO da Seer Interactive, que abordou o impacto da IA sobre conteúdo, aquisição de audiência e confiança.
Segundo dados de experimentos apresentados pelo executivo, a Seer Interactive conseguiu triplicar as assinaturas de sua newsletter após reduzir o volume de conteúdo produzido.
Reynolds também afirmou que, nos testes apresentados, o tráfego originado nas redes sociais teve taxa de conversão 500% superior à registrada pelo tráfego proveniente de mecanismos de busca e ferramentas de IA.
Os resultados são específicos dos experimentos realizados pela empresa e não significam que o mesmo desempenho seja replicável em outras operações, mas foram utilizados pelo executivo para defender uma estratégia menos dependente de volume.
“O trabalho do marketing sempre foi o mesmo: ser visto, ser confiável e ser escolhido. Visibilidade nunca foi o suficiente”, afirmou Reynolds.
Para ele, empresas precisam evitar que a facilidade de produção proporcionada pela IA resulte apenas em mais conteúdo.
“Em vez de cair na armadilha da produção, entre na armadilha da confiança: construa uma estratégia de conteúdo que gera confiança de verdade, não só volume”, acrescentou.
TOTVS apresenta estratégia de agentes de IA
A programação também abordou o uso de inteligência artificial dentro das empresas.
Gustavo Bastos, vice-presidente de Plataformas e TI da TOTVS, apresentou a estratégia da companhia para o LYNN, modelo de IA voltado ao ambiente B2B.
A proposta apresentada é utilizar a tecnologia como base para agentes digitais capazes de assumir parcial ou totalmente determinadas tarefas e processos corporativos, com integração a softwares da TOTVS e de terceiros.
O modelo prevê diferentes níveis de autonomia e responsabilidade e a atuação coordenada entre profissionais e agentes digitais.
Marketing, vendas e atendimento mais conectados
Ao longo dos três dias, o Mundo RD Station reuniu 67 experiências distribuídas por cinco palcos, segundo a organização.
Entre os assuntos abordados estiveram IA aplicada a vendas, dark social, comunidades, hiperpersonalização, fim dos cookies, atribuição, CRM, atendimento conversacional e agentes de inteligência artificial.
A apresentação do Marketing Contínuo funcionou como um ponto de conexão entre parte desses temas: em vez de tratar cada ferramenta, canal ou departamento isoladamente, a RD Station propõe utilizar informações acumuladas durante toda a relação com o consumidor para orientar as próximas ações da empresa.
Na prática, a discussão coloca um desafio para os departamentos de marketing: produzir mais conteúdo ou adotar mais ferramentas pode não ser suficiente se os dados e aprendizados obtidos ao longo da jornada do cliente continuarem fragmentados dentro da organização.


