Mãe transforma o luto em livro sobre memória, amor e resistência 

Sete anos após a tragédia em Brumadinho, Helena Taliberti lançou um relato autobiográfico sobre trajetória de luto e ressignificação.

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A economista Helena Taliberti lançou sua autobiografia “Tentam nos enterrar, não sabem que somos sementes” no último sábado (25), durante a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). O lançamento aconteceu na Casa Ofício, no painel “Semear futuros, cultivar a vida” — conduzido pela jornalista Aline Midlej com a participação de Jéssica Moreira e Jamil Chade. 

Sete anos após perder seus dois filhos e sua nora grávida no rompimento da barragem de Brumadinho, Helena registra sua trajetória de amor, dor e ressignificação em um convite à reflexão sobre luto e memória.

“Na perda há uma dor ácida que vem com a ruptura, com o vazio, com a falta de sentido, com os fragmentos em que a vida se torna, com o acordar todos os dias e redescobrir a perda […]. Mas, no amor, há uma paz doce e plena, como um farol que ilumina intensamente o caminho, revela a profundidade do vínculo e confere nitidez à presença deles na lembrança”, diz Helena em trecho da obra.

O livro conta com a participação das jornalistas Cristina Serra e Daniela Arbex, que assinam os dois primeiros prefácios da obra e acompanham a trajetória de Helena desde a tragédia. A psicóloga Maria Helena Pereira Franco apoia o processo de luto de Helena e propõe algumas reflexões sobre a publicação de uma autobiografia. 

“[…] Existem limites nesse processo porque, uma vez publicada, a história não perde sua autoria, porém tocará em outras histórias, que serão revisitadas, ressignificadas, reescritas. É o rio que corre em seu leito até desaguar no mar”, reflete a psicóloga. 

A obra também conta a participação de Vagner Diniz, marido de Helena. Vagner propõe que o livro sirva como lembrete para o que realmente importa, e pelo que vale a pena viver.

Após a tragédia, Helena e Vagner criaram, ao lado dos amigos de seus filhos, o Instituto Camila e Luiz Taliberti (ICLT), entidade sem fins lucrativos que vem promovendo, desde então, ações de mobilização e cultura em memória das 272 vítimas do rompimento da barragem Córrego do Feijão, pela defesa da vida e proteção do meio ambiente.

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