Leela celebra 26 anos de carreira e reencontra sua história no palco Global Village do Rock in Rio

Em exclusiva ao N4 News, Bianca Jhordão e Rodrigo Brandão relembram a trajetória da banda, do underground carioca à MTV e apresentação especial no palco Global Village

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Com 26 anos de carreira, a Leela chega ao Rock in Rio carregando uma trajetória marcada por transformações e reinvenções. Criada por Bianca Jhordão e Rodrigo Brandão, e hoje é composta pelo casal, além de Guilherme Dourado e Fabiano Paz. A banda atravessou diferentes fases da música brasileira, do circuito underground à MTV e à transformação provocada pela internet.

Do underground à formação da Leela

A relação de Bianca Jhordão com a música começou ainda na adolescência. Criada em uma família que já tinha contato com instrumentos, ela começou a aprender violão por volta dos 14 ou 15 anos. Canhota, encontrou uma dificuldade logo no início das aulas.

Enquanto aprendia a tocar, Bianca também se tornava uma consumidora assídua de música. Aos 16 anos, passou a apresentar um programa de rádio na escola dedicado à cena alternativa.

“Eu tinha 16 anos quando comecei a apresentar esse programa de rádio. E uns 14, 15 quando comecei a aprender o violão. Claro que nesse meio tempo eu era uma consumidora voraz de música” , comentou.

A experiência com o rádio ajudou a aproximá-la do jornalismo musical, mas foi no circuito underground carioca que ela começou a construir sua trajetória nos palcos. Nos anos 1990, participou da formação do Polux, banda feminina que também contou com Rodrigo Brandão.

A relação de Rodrigo com a música, por sua vez, começou ainda mais cedo. Filho do músico Arnaldo Brandão, ele nasceu em Londres enquanto o pai estudava música no país e voltou ao Brasil ainda bebê e em casa, o contato com a música continuou constante.

“Eu nasci em Londres porque meu pai estava estudando música em Londres. Depois ele e minha mãe voltaram pro Brasil, ainda neném. Meu pai tinha um quarto da casa que se chamava quarto do som. Cheio de instrumentos que ele ficava ensaiando e tocando com os amigos e parceiros dele“, afirmou.

No Polux, Bianca e Rodrigo viveram as dificuldades do circuito independente e também o preconceito contra mulheres no rock. A banda enfrentava questionamentos sobre a capacidade das integrantes e sobre o próprio lugar que ocupavam naquele cenário.

“No início, eu não entendia muito bem esse preconceito. Mas ao longo dos shows e da estrada, a gente sentia nos olhares, nas reprovações de ‘será que elas tocam?’, ‘quem são essas gurias que estão aqui?’, ‘elas são as namoradas dos caras da banda?’“, disse Bianca.

Segundo Bianca, também não havia uma cena feminina consolidada que servisse de referência para o grupo.

“A gente não tinha comparação com outras bandas de mulher. A gente não conhecia. Não tinha uma cena de bandas de mulheres“, contou.

Após o fim do Polux, Bianca e Rodrigo continuaram compondo juntos. As novas músicas tinham uma sonoridade mais melódica e alternativa. Em 2000, nasceu a Leela.

“A gente já se sentia mais preparado pra um outro estágio da banda. Era underground, mas a gente já estava com uma cabeça um pouco mais voltada pra uma estrutura de banda, pra ter uma gravadora, pra gente poder fazer turnês, tocar no rádio, fazer parte da cena mainstream” comentou Bianca.

Da era dos CDs à revolução da internet

Foto: Álbum Leela, lançado em 2004

A banda começou a ganhar espaço no circuito independente até alcançar projeção nacional, com lançamento por gravadora, presença em rádios, televisão e trilhas sonoras. Foi também o período dos discos físicos, sessões de autógrafos e pocket shows.

“Essa era de se lançar um álbum físico nas lojas, de prensar um CD, de ter o encarte, nossa, foi mágico.Isso era sensacional, fascinante. O poder do rádio, porque na época você não tinha opções de Netflix ou Spotify ou qualquer outra concorrência“, contou Bianca.

A MTV Brasil teve papel importante nessa fase. A Leela venceu o prêmio de Banda Revelação da emissora em 2005, participou de programas de grande audiência, acompanhou a primeira turnê de Avril Lavigne no Brasil e foi indicada ao Grammy Latino

“A gente ficou super feliz. Não esperávamos ganhar esse prêmio de Banda Revelação, mas a gente sentia no ar uma vibração que a gente iria ganhar. Quando o Celton Mello falou o nosso nome, de que a gente ganhou o prêmio, foi fantástico. O Mion fez a nossa caricatura. E a partir dali foi bacana, porque a banda estava num momento muito bom” disse Bianca.

Para Bianca, fazer parte daquele universo representava também estar inserida em uma referência cultural que acompanhava sua geração.

“A MTV moldou os nossos gostos. Moldou a nossa estética. A gente curtia muito o que a gente via na MTV. Então, a gente estar ali naquele universo foi muito rico” afirmou

Leela prepara encontro de gerações no Rock in Rio

Agora, a banda leva essa história para o Rock in Rio. No Global Village, o repertório revisita diferentes momentos dos 26 anos de carreira, com músicas como “Ver O Que Faço” e “Pequenas Caixas”.

A apresentação terá ainda um significado familiar para Rodrigo. Arnaldo Brandão, seu pai, participará do show em “Temporada Para”, composta com Cazuza, e “Rádio Blá”, composta com Tavinho Paes e Lobão.

Foto: Divulgação: Rock in RIo

Para o músico, dividir o palco com o pai torna a experiência ainda mais especial.

“Só de subir no palco do Rock in Rio já é especial. E ter a sensação de subir com o próprio pai é 100 vezes mais especial“, comentou Rodrigo.

A expectativa, segundo Rodrigo, é aproveitar cada momento da apresentação.

“Estamos com uma expectativa enorme. Uma emoção. Temos que agradecer essa oportunidade. Agradecer demais. Aproveitar ao máximo. Desfrutar. Curtir” comentou.

Depois de atravessar o underground carioca, a era dos CDs, a MTV e a revolução provocada pela internet, a Leela chega ao Rock in Rio diante de mais um momento marcante da carreira.

Para Bianca e Rodrigo, a apresentação representa não apenas uma subir ao palco do Rock in Rio, é mostrar o quanto se pode reiventar e a continuidade de uma história construída ao longo de 26 anos.

“A gente vai fluindo como água. Quando tem uma rachadura, a gente passa por ela. Quando tem um muro, a gente abraça. A gente vai encontrando os caminhos“, comentou Bianca.

E é justamente essa disposição para continuar se reinventando que mantém a Leela em movimento.

“O nosso propósito é continuar tocando, continuar fazendo música, continuar colocando para fora aquilo que a gente sente e aquilo em que acredita. E, se as pessoas puderem ouvir e se divertir com isso, para a gente já vale muito a pena” disse Bianca.

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