Um sistema de inteligência artificial desenvolvido pela Microsoft alcançou 83% de precisão no diagnóstico de casos clínicos complexos, superando o desempenho de médicos generalistas avaliados individualmente, que registraram 36% de acerto com acesso a materiais de referência. Os resultados foram apresentados em um estudo publicado na revista científica Science, nesta quinta-feira (22).
A tecnologia, chamada MAI-DxO, foi desenvolvida para reproduzir etapas do raciocínio clínico, incluindo a análise de sintomas, a solicitação de exames e a revisão de hipóteses diagnósticas.
Como funciona a inteligência artificial
O MAI-DxO utiliza diferentes agentes de inteligência artificial para simular uma equipe médica. Cada agente desempenha funções específicas durante a investigação, permitindo que o sistema avalie possibilidades antes de chegar a um diagnóstico.
Na pesquisa, foram utilizados casos complexos publicados no New England Journal of Medicine, periódico científico que apresenta situações clínicas frequentemente utilizadas para discussão entre especialistas.
Os médicos participantes foram avaliados individualmente, enquanto a tecnologia pôde coordenar diferentes etapas de análise.
Sem acesso a materiais externos de consulta, os profissionais alcançaram 22% de precisão. Com livros e recursos de pesquisa, o índice subiu para 36%.
O sistema da Microsoft manteve desempenho de 83%.
IA também apresentou resultados em casos de emergência
Os pesquisadores avaliaram a tecnologia em outro conjunto de dados, formado por atendimentos de departamentos de emergência.
Nesse cenário, o MAI-DxO acertou 80% dos diagnósticos, contra 47% dos médicos utilizados na comparação.
A Microsoft também afirma que o sistema conseguiu reduzir os custos estimados de investigação diagnóstica em determinadas simulações, ao selecionar exames e procedimentos de forma mais eficiente.
Os resultados variaram conforme os modelos de inteligência artificial utilizados e as características dos casos analisados.
Estudo não comprova superioridade na prática médica
Apesar dos resultados, a pesquisa não demonstra que a inteligência artificial seja superior aos médicos em atendimentos reais.
Os testes utilizaram casos clínicos documentados e condições controladas. Na prática, o diagnóstico envolve exames físicos, comunicação com pacientes, informações incompletas e decisões que exigem acompanhamento profissional.
Além disso, o estudo não comparou o sistema com equipes multidisciplinares de especialistas, que normalmente seriam responsáveis por casos de maior complexidade.
A Microsoft pretende avançar para avaliações em ambientes clínicos, incluindo uma parceria com o Beth Israel Deaconess Medical Center, em Boston, nos Estados Unidos.
A proposta é investigar como a tecnologia pode auxiliar profissionais de saúde na identificação de doenças e na escolha de exames, sem substituir a responsabilidade médica.

