IA deixa de ser promessa e vira ferramenta de negócios no Web Summit Rio 2026

Evento realizado no Rio mostrou avanço dos agentes de IA e aplicações da tecnologia em empresas, desenvolvimento, atendimento e produtividade

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A inteligência artificial deixou de ocupar apenas o campo das tendências para aparecer como uma tecnologia cada vez mais incorporada à operação das empresas durante o Web Summit Rio 2026. Realizado entre os dias 8 e 11 de junho, no Riocentro, o evento colocou a IA no centro de discussões sobre negócios, produtividade, desenvolvimento de software, marketing e futuro do trabalho.

Ao longo da programação, agentes de IA ganharam espaço especialmente pela capacidade de executar tarefas e integrar diferentes etapas de processos corporativos. Empresas como Google, AWS, IBM, Microsoft, OpenAI e Replit estiveram entre as companhias de tecnologia presentes no evento.

A dimensão do encontro também reforçou o peso do mercado brasileiro no ecossistema de inovação. A quarta edição do Web Summit no país recebeu 40.287 participantes, 1.572 startups e 688 investidores de mais de 100 países.

Agentes de IA avançam dentro das empresas

Uma das principais mudanças percebidas nas discussões do Web Summit Rio foi a passagem dos modelos de IA usados principalmente para responder perguntas ou gerar conteúdos para sistemas capazes de atuar em diferentes etapas de uma tarefa.

A chamada IA agêntica esteve presente em diferentes atividades do evento.

A AWS, por exemplo, promoveu discussões sobre pipelines autônomos alimentados por agentes e sobre como empresas podem usar IA para trabalhar de maneira mais eficiente. O Google Cloud realizou atividades relacionadas à construção de sistemas multiagentes e agentes capazes de trabalhar com diferentes formatos de informação.

A programação também abordou um problema que começa a surgir à medida que empresas experimentam essas tecnologias: como transformar provas de conceito em sistemas efetivamente utilizados no ambiente corporativo.

A discussão mostra uma nova fase do mercado. A pergunta deixa gradualmente de ser apenas “o que a IA consegue fazer?” e passa a incluir “como colocar a IA para funcionar dentro de uma empresa?”.

Google amplia aposta em capacitação no Brasil

A expansão da inteligência artificial também aumentou a preocupação com a formação de profissionais capazes de trabalhar com essas tecnologias.

Durante o Web Summit Rio, o Google Cloud anunciou que triplicou sua meta de capacitação no Brasil e assumiu o compromisso de treinar 3 milhões de brasileiros em inteligência artificial e tecnologias de nuvem nos próximos anos.

No ano anterior, a companhia havia anunciado a meta de alcançar 1 milhão de pessoas.

A iniciativa acompanha uma demanda crescente das empresas por profissionais preparados não apenas para desenvolver sistemas de IA, mas também para incorporar essas ferramentas às operações.

Infraestrutura entra na corrida pela inteligência artificial

Outro tema que ganhou espaço foi a infraestrutura necessária para sustentar o avanço da IA.

A Claro anunciou durante o evento uma oferta de GPU as a Service, modelo que permite às empresas acessar capacidade computacional baseada em GPUs sem necessariamente manter toda a infraestrutura física internamente.

As GPUs se tornaram componentes estratégicos para o treinamento e a execução de sistemas de inteligência artificial, aumentando a demanda global por capacidade computacional.

A oferta desse tipo de infraestrutura como serviço pode reduzir uma das barreiras enfrentadas por empresas que pretendem desenvolver projetos de IA no Brasil: o custo de acesso a processamento especializado.

Bancos também avançam para interfaces conversacionais

A transformação provocada pela IA também chegou ao setor financeiro.

Durante o Web Summit Rio, o Itaú apresentou uma prévia do ia.i, projeto que pretende criar uma nova experiência de interação entre clientes e o banco por meio de inteligência artificial.

A proposta é substituir parte da navegação tradicional baseada em menus e botões por uma interface conversacional, permitindo que o cliente informe diretamente o que deseja fazer.

O movimento aponta para uma possível mudança importante na relação entre consumidores e serviços digitais. Em vez de navegar por diversas telas para encontrar uma função, o usuário poderá simplesmente conversar com o sistema.

Da experimentação para a aplicação

A programação do Web Summit Rio mostrou que o debate sobre inteligência artificial entrou em uma nova etapa.

Ainda existem discussões importantes sobre segurança, ética, governança e impacto no mercado de trabalho. Mas, paralelamente, empresas começam a direcionar investimentos para infraestrutura, treinamento profissional e integração de agentes aos processos corporativos.

A própria competição de startups do evento reforçou essa tendência.

A brasileira Dalton Lab venceu o PITCH 2026 com uma proposta voltada justamente à transformação de empresas por meio de agentes de IA. A startup trabalha com a identificação de processos nos quais a tecnologia pode gerar valor, implantação de agentes, governança e capacitação das equipes.

Mais do que apresentar uma nova geração de ferramentas, o Web Summit Rio 2026 mostrou que a corrida agora está concentrada em outra questão: como transformar a inteligência artificial em resultado concreto para os negócios.

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