Grupo dono de Habib’s e Ragazzo entra em recuperação judicial com dívida de R$ 265 milhões

Grupo Gennius, que também controla Ragazzo e Tendall Grill, terá 60 dias para apresentar plano de reestruturação; empresa afirma que restaurantes continuam funcionando normalmente

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O Grupo Gennius, controlador das redes Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill, entrou em recuperação judicial com uma dívida declarada de R$ 265,2 milhões. O pedido foi aceito pela Justiça de São Paulo e envolve 178 empresas ligadas ao conglomerado, além dos sócios Alberto Saraiva e Belchior Saraiva.

A decisão foi proferida pelo juiz Jomar Juarez Amorim, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A KPMG Corporate Finance foi nomeada administradora judicial e o grupo terá 60 dias para apresentar um plano de recuperação.

Apesar da recuperação judicial, a companhia afirma que as operações seguem normalmente. O processo não significa a falência ou o fechamento imediato das lojas, mas abre um período para que o grupo tente reorganizar suas finanças e renegociar compromissos com credores.

Como o Habib’s chegou à recuperação judicial?

A recuperação judicial é resultado de uma crise financeira que já vinha sendo discutida na Justiça.

Em julho, o Grupo Gennius buscou proteção judicial contra credores enquanto tentava negociar seu passivo sem recorrer formalmente à recuperação judicial. Na ocasião, a dívida informada chegava a R$ 312,4 milhões, sendo grande parte relacionada a instituições financeiras.

A Justiça concedeu proteção temporária contra determinadas cobranças, dando espaço para a tentativa de negociação com os credores. Em agosto, essa proteção chegou a ser ampliada.

As negociações, porém, não foram suficientes para evitar o pedido de recuperação judicial apresentado em 24 de agosto.

O passivo de R$ 265,2 milhões informado agora não deve ser interpretado simplesmente como uma redução da dívida em relação aos R$ 312,4 milhões divulgados anteriormente. Os valores foram apresentados em momentos e contextos processuais diferentes.

Pandemia, delivery e juros estão entre as causas apontadas

O Grupo Gennius atribui parte das dificuldades financeiras a uma combinação de fatores ocorridos nos últimos anos.

Entre os argumentos apresentados estão os efeitos da pandemia de Covid-19 sobre o funcionamento dos restaurantes e as mudanças nos hábitos dos consumidores.

A popularização das plataformas de delivery também é apontada pelo grupo como um dos fatores que alteraram a dinâmica das lojas físicas. Outro problema citado é o aumento dos juros e, consequentemente, do custo do crédito para financiar as operações.

O Habib’s foi fundado em 1987 e se transformou em uma das maiores redes brasileiras de alimentação, tornando-se conhecido principalmente pela estratégia de preços populares e pela comercialização de produtos inspirados na culinária árabe.

Habib’s vai fechar?

A entrada em recuperação judicial não significa que as lojas do Habib’s serão fechadas.

Segundo o Grupo Gennius, as operações continuam normalmente durante o processo de reestruturação financeira.

A recuperação judicial é um instrumento previsto na legislação brasileira para permitir que empresas em dificuldades financeiras reorganizem suas dívidas enquanto mantêm suas atividades.

Também é importante diferenciar a situação do grupo controlador da realidade individual das unidades franqueadas. O processo envolvendo o Grupo Gennius não significa automaticamente que cada restaurante operado por um franqueado esteja em recuperação judicial.

Justiça mantém recebíveis vinculados a bancos

Com o processamento da recuperação judicial, determinadas ações de cobrança contra o grupo ficam suspensas.

A decisão, no entanto, não atendeu a todos os pedidos apresentados pelas empresas. A Justiça manteve a possibilidade de instituições financeiras reterem recebíveis vinculados a garantias fiduciárias para amortização de dívidas.

Fornecedores considerados essenciais também não poderão interromper determinados serviços durante o processo, desde que as novas obrigações sejam pagas conforme as condições estabelecidas.

Grupo terá 60 dias para apresentar plano

A próxima etapa será a apresentação do plano de recuperação judicial.

O Grupo Gennius terá 60 dias para detalhar como pretende reorganizar suas operações e pagar os credores. O prazo foi estabelecido pela Justiça sem possibilidade de prorrogação.

A KPMG, nomeada administradora judicial, ficará responsável por acompanhar o processo e verificar informações relacionadas às empresas incluídas na recuperação.

O plano posteriormente poderá ser analisado pelos credores, que terão a possibilidade de apresentar objeções às condições propostas.

Enquanto esse processo avança, Habib’s, Ragazzo e as demais operações do grupo seguem funcionando.

A recuperação judicial, portanto, abre um novo capítulo para uma das marcas mais conhecidas do setor de alimentação brasileiro: depois de tentar negociar diretamente com os credores, o Grupo Gennius passa agora a buscar, sob supervisão da Justiça, uma saída para reorganizar suas dívidas e preservar suas operações.

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