A classificação da Argentina para as quartas de final da Copa do Mundo de 2026 veio acompanhada de comemoração dentro de campo e turbulência fora dele.
Enquanto a seleção segue viva na luta pelo bicampeonato mundial após vencer o Egito por 3 a 2 em uma partida marcada por controvérsias, a Associação do Futebol Argentino (AFA) enfrenta uma investigação conduzida pelo FBI e pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre supostas irregularidades financeiras envolvendo centenas de milhões de dólares.
Segundo informações divulgadas pelo jornal argentino La Nación, procuradores federais americanos e agentes do FBI apuram movimentações financeiras realizadas pela AFA por meio do sistema bancário norte-americano.
O objetivo é determinar se operações realizadas nos últimos anos podem configurar crimes como lavagem de dinheiro, fraude bancária ou outras infrações financeiras sob a legislação dos Estados Unidos.
Investigação envolve mais de US$ 300 milhões
De acordo com a publicação, a investigação teve início de forma preliminar em 2025 e ganhou força nos últimos meses após o surgimento de novos documentos bancários e depoimentos.
No centro das apurações está a empresa TourProdEnter LLC, ligada ao produtor teatral Javier Faroni e à empresária Erica Gillette. A companhia teria sido responsável por administrar contratos comerciais internacionais da AFA, incluindo acordos com grandes marcas globais.
Documentos analisados pelos investigadores apontam que cerca de US$ 260 milhões teriam circulado por contas mantidas em bancos americanos como Citibank, Bank of America, JP Morgan, Synovus e PNC Bank. Parte das movimentações possui justificativas operacionais, mas aproximadamente US$ 57 milhões teriam sido direcionados para empresas e contas cuja origem e destino ainda estão sendo analisados pelas autoridades.
O caso está sob responsabilidade de procuradores especializados em crimes financeiros, entre eles Patrick Gushue, Christopher Ting e Michael Berger.
A investigação também ganhou impulso após denúncias feitas pelo empresário Guillermo Tofoni, que prestou depoimento às autoridades americanas. Além disso, o Departamento de Justiça avalia ouvir ex-integrantes do governo argentino ligados à área econômica.
Até o momento, a AFA não se pronunciou oficialmente sobre o caso. Representantes da entidade defendem o respeito à presunção de inocência enquanto as investigações seguem em andamento.
Vitória sobre o Egito gera revolta
As polêmicas, porém, não ficaram restritas aos bastidores financeiros.
Dentro de campo, a vitória argentina sobre o Egito também provocou forte reação dos adversários. Os egípcios acusam a arbitragem de ter influenciado diretamente no resultado da partida ao anular o segundo gol da seleção africana e não marcar um pênalti sobre Mohamed Salah nos minutos finais do confronto.
Pouco depois do lance contestado, a Argentina marcou o gol da vitória nos acréscimos e garantiu a classificação para a próxima fase.
A Federação Egípcia de Futebol apresentou uma reclamação formal à FIFA pedindo o afastamento da equipe de arbitragem responsável pelo jogo. A entidade alega que houve erros graves e questiona a imparcialidade das decisões tomadas durante a partida.
Segundo veículos internacionais, o confronto registrou o maior número de lances revisados e contestados desta edição da Copa do Mundo, aumentando a pressão sobre a arbitragem do torneio.
Pressão cresce às vésperas das quartas
O cenário ficou ainda mais delicado após críticas à escalação de árbitros para os jogos seguintes da competição. A escolha de profissionais argentinos para atuar em partidas decisivas gerou questionamentos de torcedores e comentaristas esportivos nas redes sociais.
Enquanto isso, a seleção comandada por Lionel Scaloni tenta manter o foco na disputa pelo título mundial. Com Lionel Messi liderando a equipe em mais uma campanha de Copa do Mundo, a Argentina segue como uma das favoritas ao troféu, mas agora divide os holofotes entre o desempenho dentro de campo e as investigações que cercam a principal entidade do futebol do país.
Caso as suspeitas sejam confirmadas, a investigação poderá abrir um novo capítulo na relação entre o futebol argentino e a Justiça internacional, justamente em um momento em que a seleção busca escrever mais uma página de sucesso dentro das quatro linhas.


