Exposição “Arquipélago Imaginário” apresenta percurso artístico de Luiz Braga no Paço Imperial

Mostra com curadoria de Bitu Cassundé destaca obras inéditas, investigações cromáticas e registros da cultura paraense em nove núcleos, com visitação até março de 2026

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A trajetória de cinco décadas do fotógrafo paraense Luiz Braga desembarca no Paço Imperial, no Rio de Janeiro, com a exposição “Arquipélago Imaginário”, que reúne imagens marcadas pela convivência, pelo vínculo territorial e pela observação sensível da cultura amazônica.

Com curadoria de Bitu Cassundé, a mostra oferece ao público uma imersão no universo visual construído pelo artista, reconhecido por retratar paisagens, costumes e cotidianos do Pará.

Braga mantém, desde o início da carreira aos 18 anos, um acervo organizado de fotografias, fruto de uma pesquisa desenvolvida junto aos lugares e pessoas retratadas. “Meu trabalho se debruça sobre o meu lugar”, afirma.

A conexão profunda com a terra natal também fundamenta o processo de criação: “Visito inúmeras vezes os locais, o que me permite respeitar os códigos, o ritmo e os costumes. A fotografia é uma troca que depende do contato íntimo e pessoal, do diálogo e da imersão. Sou, na verdade, um atravessador de afetos”, comenta.

Nove eixos e olhar renovado para a obra

A maior parte das imagens exibidas em “Arquipélago Imaginário” foi vista apenas uma única vez, em mostra anterior no Instituto Moreira Salles (IMS) em São Paulo, o que reforça o caráter inédito da exposição no Rio. Braga destaca o olhar curatorial como elemento que renova a percepção sobre sua obra. Entre os recortes, o núcleo “Sintaxes Populares” chama atenção por realçar a presença da caligrafia em fachadas e sinaléticas.

A exposição é dividida em nove núcleos — Sintaxes populares; O Retrato; O Antirretrato; Territórios e pertencimentos – o Norte; Nightvision – Mapa do Éden; O outro, o alheio; Arquitetura da intimidade; Afazeres e trabalhos; O Marajó — organizados em expografia intimista que convida o público a percorrer temas recorrentes na produção de Braga.

Do preto e branco às pesquisas cromáticas

O percurso expositivo inicia com imagens em preto e branco produzidas na década de 1970, quando Braga ainda atuava na publicidade em Belém. Na sequência, predominam as fotografias coloridas, técnica que se tornou marca do artista e ganha especial ênfase na investigação sobre a Ilha do Marajó ao longo das últimas duas décadas.

As primeiras seções da mostra realçam a convivência do fotógrafo com seu território. Registros do Círio de Nazaré, cenas do cotidiano ribeirinho e a arquitetura das palafitas evidenciam um universo marcado pela religiosidade, pelas tradições e pela memória. Exemplos como a imagem de uma mulher caminhando pela rodovia Transamazônica, feita em 1996, revelam a força documental e afetiva do trabalho.

O cotidiano como narrativa

Parte expressiva da obra de Braga se volta para o interior das casas e estabelecimentos. Cortinas, ventiladores, relógios e vasos compõem ambientes que evocam lembranças e afetos, enquanto fotografias de cabeleireiros, açougueiros, pescadores e alfaiates reforçam a centralidade do trabalho como tema recorrente.

Nightvision e o deslocamento da cor

Entre os destaques, o núcleo “Nightvision – Mapa do Éden” apresenta imagens iniciadas em 2006, durante a transição da fotografia analógica para a digital. A partir de experimentações com a baixa luminosidade e com tons prata-esverdeados, Braga cria um registro onírico da Amazônia, distante dos estereótipos frequentemente vinculados à região. “Estes trabalhos promovem uma imersão por meio da fabulação e da ficção”, observa o curador.

Retratos e antirretratos

Os núcleos Retrato e Antirretrato exploram a presença humana de maneira complementar. No primeiro, o ambiente e os objetos tornam-se elementos narrativos, ao lado dos indivíduos fotografados. No segundo, o olhar se desloca: pessoas aparecem de costas ou de lado, imersas no cotidiano. “Estão montados de forma que o visitante aprecie os Retratos ao entrar e os Antirretratos ao sair, como se aquelas pessoas também estivessem saindo”, explica Cassundé.

Marajó: síntese e desdobramento

O percurso culmina na série dedicada à Ilha do Marajó, núcleo inteiramente composto por imagens coloridas e o maior da exposição. O trabalho revela a profundidade das relações culturais da ilha, marcada por tradições indígenas e saberes populares. Ali, Braga sistematiza uma prática baseada na escuta e na oralidade, refletindo a produção como espaço de troca e convivência.

Cronobiografia e contexto histórico

Além das imagens, o público encontra uma cronobiografia que reconstitui a trajetória do artista, nascido em 1956 em Belém. A curadoria destaca que a obra de Braga opera na convivência com os lugares, acionando o afeto como gesto principal. Para Cassundé, a permanência do artista em sua terra natal, aliada à investigação contínua do território, consolidou um percurso incontornável para a história da fotografia paraense e brasileira.

Serviço

LUIZ BRAGA – ARQUIPÉLAGO IMAGINÁRIO
Abertura: 9 de dezembro, 15h às 19h
Visitação: até 1º de março de 2026
Local: Centro Cultural do Patrimônio Paço Imperial — Praça XV de Novembro, 48, Centro, Rio de Janeiro/RJ
Telefone: (21) 2215-2093 / 2215-2622
E-mail: diretoria@pacoimperial.org.br
Dias e horários: terça a domingo e feriados, 12h às 18h
Entrada: gratuita
Site: www.amigosdopacoimperial.org.br

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