Emicida revisita Racionais e transforma o luto em arte em seu novo álbum

Emicida une legado, saudade e emoção em um dos álbuns mais sinceros de sua carreira.

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Após seis anos sem lançar um álbum de estúdio, Emicida voltou ao centro da música brasileira com “Emicida Racional VL 2 – Mesmas Cores & Mesmos Valores”, lançado ontem (11). O trabalho é uma releitura e também uma homenagem pessoal ao clássico “Cores & Valores” (2014), dos Racionais MC’s, o disco marca o retorno do rapper a uma sonoridade forte e cheia de sentimentos.

Com 10 faixas e 42 minutos de duração, o álbum revisita referências do hip-hop enquanto fala sobre memória, identidade e as vivências da população negra no Brasil. Emicida retoma elementos marcantes dos Racionais, mas dá seu toque pessoal a eles, criando um diálogo entre o rap de ontem e o de hoje. Participações de artistas como Rashid e Projota reforçam o clima coletivo do projeto, que também abre espaço para momentos pessoais como trazer a voz de sua mãe que faleceu esse ano Dona Jacira e suas filhas.

Entre todas as faixas, uma chama atenção pelo sentimento e pelo silêncio que carrega. Em “Bom dia né gente?”, Emicida escolhe não cantar, e essa ausência diz muito. A música traz a voz de uma artista que já não está mais aqui, em uma homenagem que não precisa de palavras. O instrumental traz tom triste, enquanto a lembrança de Dona Jacira, sempre cheia de vida mesmo nos momentos difíceis, surge como um ponto luz. A faixa apresenta Emicida caminhando silenciosamente, quase como quem tenta reorganizar a própria dor. Emicida aparece no final da faixa onde só é possível ouvir seu choro, tentando entender a própria dor e transformando isso em música.

Essa música revela o espírito do álbum. “Mesmas Cores & Mesmos Valores” funciona como um grande desabafo, não algo explosivo, mas profundo e íntimo. Assim como em outros momentos de sua carreira, Emicida se coloca mais como alguém que quer conversar, não como alguém distante. Seus discos sempre soaram como conselhos de um irmão mais velho, de um primo sábio, de um amigo que já viveu o suficiente para orientar.

Muitos fãs sentem isso na prática. Quem cresceu ouvindo o rapper ainda encontra nele a mesma voz de antes, aquela que diz “Vamo trocar umas ideia ai”.

O álbum foi muito bem recebido. Críticos destacaram a força emocional do projeto, o cuidado na homenagem aos Racionais e o crescimento artístico do rapper. Ao juntar carinho, memória e sinceridade, Emicida confirma mais uma vez por que é um dos nomes mais importantes da música brasileira até hoje.

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