O Carnaval 2026 promete um dos desfiles mais plurais e politizados dos últimos anos. As 12 escolas do Grupo Especial levarão para a Marquês de Sapucaí enredos que atravessam política, ancestralidade negra, música brasileira, religiosidade e grandes personagens da cultura nacional, reforçando a força narrativa do samba como retrato do Brasil.
Acadêmicos de Niterói – Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil
Estreante no Grupo Especial, a Acadêmicos de Niterói apresenta um enredo político e biográfico: “Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil”. A escola contará a trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva, da infância pobre no Nordeste ao destaque como uma das figuras mais influentes da política brasileira. O samba também aborda o contexto da ditadura militar, citando repressão, resistência e as vítimas do regime. O mulungu, árvore típica do sertão, surge como símbolo de força e esperança.
Imperatriz Leopoldinense – Camaleônico
A Imperatriz Leopoldinense celebra a liberdade de ser e se reinventar com “Camaleônico”, uma homenagem a Ney Matogrosso. Ícone da música brasileira, o artista atravessa décadas desafiando padrões de gênero, estética e comportamento, preservando sua ousadia em todas as fases da carreira.
Portela – O Mistério do Príncipe do Bará
A Portela aposta em um enredo que une fé, mistério e ancestralidade: “O Mistério do Príncipe do Bará”. A narrativa resgata a trajetória de Custódio Joaquim de Almeida, líder religioso negro do século XIX e figura fundamental para o Batuque e para a identidade afro-gaúcha. A escola aproxima o mito do Negrinho do Pastoreio da figura de Bará, orixá das encruzilhadas e mensageiro entre mundos.
Mangueira – Mestre Sacacá do Encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra
A Estação Primeira de Mangueira viaja ao Norte do Brasil com o enredo sobre Mestre Sacacá, curandeiro e líder espiritual do Amapá. O tema destaca a Amazônia Negra, exaltando cultura, medicina popular, identidade tucuju e resistência. Marabaixo e Batuque, ritmos afro-amapaenses, aparecem como elementos centrais do samba.
Mocidade Independente de Padre Miguel – Rita Lee, a Padroeira da Liberdade
A Mocidade homenageia Rita Lee com “Rita Lee, a Padroeira da Liberdade”. A escola celebra a cantora como símbolo de irreverência, liberdade artística e quebra de padrões, incorporando referências a clássicos de sua carreira e até um sample de “Erva Venenosa”.
Beija-Flor de Nilópolis – Bembé
A Beija-Flor busca o bicampeonato com “Bembé”, uma homenagem ao Bembé do Mercado, o maior Candomblé de rua do mundo, realizado em Santo Amaro, Bahia. A proposta é transformar a Sapucaí em um grande ritual de resistência da cultura afro-brasileira, conectando a força da Baixada Fluminense às tradições do Recôncavo Baiano.
Viradouro – Pra Cima, Ciça
A Viradouro presta homenagem ao seu mestre de bateria com “Pra Cima, Ciça”. O enredo celebra os 50 anos de carreira de Mestre Ciça e coloca no centro do desfile aqueles que fazem a festa acontecer fora dos holofotes, transformando o som dos tambores em memória, identidade e emoção.
Unidos da Tijuca – Carolina Maria de Jesus
A Unidos da Tijuca aposta na força da literatura e da denúncia social ao apresentar a vida e obra de Carolina Maria de Jesus. A escola aborda os relatos da escritora sobre a realidade das favelas brasileiras, especialmente presentes em “Quarto de Despejo”, destacando pobreza, racismo e desigualdade.
Paraíso do Tuiuti – Lonã Ifá Lukumi
Com “Lonã Ifá Lukumi”, o Paraíso do Tuiuti mergulha nas tradições de matriz africana ligadas ao culto de Ifá, sistema religioso e filosófico iorubá amplamente difundido na cultura lukumi, especialmente em Cuba. O enredo percorre caminhos da diáspora africana e reflete sobre destino, espiritualidade e ancestralidade.
Vila Isabel – Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África
A Vila Isabel revisita as raízes do samba ao homenagear Heitor dos Prazeres e a influência africana na música brasileira. A narrativa atravessa a Pequena África, região portuária do Rio, e apresenta como crenças e tradições africanas se transformaram em samba, estruturando parte da identidade cultural carioca.
Grande Rio – A Nação do Mangue
A Grande Rio apresenta “A Nação do Mangue”, inspirado no movimento Manguebeat surgido em Recife nos anos 1990. Misturando maracatu, rock, música eletrônica e ritmos urbanos, o enredo exalta a criatividade da periferia e a força cultural do movimento, marcado por Chico Science e Nação Zumbi, conectando Recife a Duque de Caxias.
Salgueiro – A Delirante Jornada Carnavalesca da Professora que Não Tinha Medo de Bruxa, de Bacalhau e Nem do Pirata da Perna-de-Pau
Encerrando a programação, o Salgueiro homenageia Rosa Magalhães, maior campeã da história do Sambódromo. O enredo propõe uma viagem pelos mundos criados pela carnavalesca, misturando fantasia, livros, fé e personagens que influenciaram sua forma de narrar o carnaval.
Os desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro acontecem em três noites: domingo (15/02), segunda-feira (16/02) e terça-feira (17/02). As 12 escolas disputam o título de campeã do Carnaval. O Desfile das Campeãs está programado para sábado (21/02), reunindo as seis melhores colocadas.


