A Creator Economy está entrando em uma nova etapa, marcada pela profissionalização dos negócios, diversificação das fontes de receita e avanço da inteligência artificial. A avaliação é de Fernanda Pincherle, Diretora Global de Marketing da Hotmart, em entrevista exclusiva ao N4 News sobre as expectativas para a 11ª edição do Hotmart FIRE, que acontece de 10 a 12 de setembro, em Belo Horizonte.
Segundo a executiva, o mercado começa a se distanciar de uma fase em que a venda pontual de cursos e outros produtos digitais ocupava o centro dos negócios para avançar em direção a estruturas mais complexas.
“Estamos vivenciando uma clara transição de mercado. A fase inicial, focada estritamente na venda pontual de cursos e infoprodutos, deu lugar a uma indústria baseada na construção de marcas pessoais perenes, modelos de negócios sustentáveis, ecossistemas de comunidades e uso de novas tecnologias”, afirmou.
Para Pincherle, os próprios criadores passaram a diversificar receitas, utilizar inteligência artificial para ampliar suas operações e estruturar empresas com governança e planejamento de longo prazo.
Hotmart ultrapassa US$ 10 bilhões em vendas
Os números apresentados pela Hotmart ajudam a dimensionar o crescimento desse mercado. Segundo a empresa, desde sua fundação, em 2011, mais de US$ 10 bilhões em produtos digitais já foram vendidos por meio da plataforma.
A companhia também afirma que um em cada quatro brasileiros economicamente ativos já comprou algum produto pela Hotmart.
Globalmente, são mais de 250 mil produtores ativos, com produtos comercializados para compradores em mais de 188 países. A infraestrutura da empresa atualmente processa pagamentos em 28 moedas e disponibiliza mais de 40 métodos de pagamento.
Os números mostram como um mercado que começou associado principalmente à comercialização de cursos pela internet passou a operar em escala internacional.

Inteligência artificial está entre segmentos que mais crescem
A transformação também pode ser observada nos assuntos procurados dentro da própria plataforma.
De acordo com Fernanda Pincherle, tecnologia, automação de negócios, desenvolvimento pessoal, finanças e gestão estão entre os segmentos que apresentam avanço. A inteligência artificial aparece entre as categorias de conteúdo e treinamento de maior expansão.
Mas a influência da tecnologia não está restrita à venda de cursos sobre inteligência artificial. Segundo a diretora, ferramentas de IA estão sendo incorporadas pelos próprios produtores para criação, marketing, vendas e expansão dos negócios.
“Na Hotmart, a IA deixou de ser um recurso isolado e hoje atua em três frentes que cobrem toda a jornada do creator: como solução integrada ao negócio, como tecnologia facilitadora e, principalmente, como um novo formato de produto”, explicou Fernanda.
Na prática, a companhia já utiliza a tecnologia em diferentes etapas da jornada dos produtores. Um dos exemplos citados é o Agente de Vendas, desenvolvido para conduzir potenciais clientes até a conversão dentro do WhatsApp.
A empresa também desenvolveu o Hotmart Tutor, ferramenta que responde perguntas dos alunos utilizando como base o próprio conteúdo dos cursos. Segundo a Hotmart, o recurso já reduz em até 50% o volume de dúvidas encaminhadas diretamente aos produtores.
Criadores estão se transformando em empresas
A profissionalização também aparece no perfil de quem participa dos principais eventos do setor.
Fernanda explica que, nas primeiras edições do Hotmart FIRE, o público era formado principalmente por entusiastas e primeiros adeptos do mercado digital.
Esse perfil mudou.
Hoje, segundo ela, o evento reúne empreendedores, criadores, marcas, executivos, profissionais de tecnologia e diferentes empresas e prestadores de serviços ligados à Creator Economy.
“São profissionais que já enxergam a criação de conteúdo, a influência e o conhecimento como negócios estruturados, com estratégias, tecnologia e operações cada vez mais sofisticadas”, afirmou Fernanda.
Para a executiva, essa mudança acompanha a própria evolução da Creator Economy, que passou a ocupar um espaço mais relevante dentro do empreendedorismo digital.
“A criação de conteúdo, a influência e o conhecimento” passaram a ser tratados como negócios estruturados, afirma a executiva, com estratégias, tecnologia e operações mais sofisticadas.
Essa profissionalização também aparece nos números da edição de 2024 do Hotmart FIRE. Naquele ano, mais de 10 mil profissionais de 30 países participaram do festival. Segundo a Hotmart, 71% ocupavam posições de liderança e mais de 70 marcas estiveram presentes como expositoras.
Dados da Prefeitura de Belo Horizonte citados pela companhia apontam ainda que o evento movimentou mais de R$ 60 milhões na economia da capital mineira naquele ano.
Hotmart FIRE aposta em networking para gerar negócios

Para a edição de 2026, a Hotmart pretende ampliar justamente a dimensão comercial e de relacionamento do evento.
Uma das novidades será uma Ala VIP com mais de 3,5 mil metros quadrados dedicada a relacionamento, Hotseats, cafés, serviços e outras experiências.
O aplicativo oficial também contará com uma ferramenta de matchmaking, que buscará conectar participantes de acordo com interesses e objetivos em comum.
A estratégia reforça uma mudança importante no posicionamento do FIRE: além das palestras, o evento procura funcionar como ponto de encontro entre criadores, empresas, executivos e potenciais parceiros comerciais.
A programação deste ano contará com nomes como Terry Crews, Ryan Deiss e Giovanna Antonelli, além de profissionais ligados ao empreendedorismo, tecnologia, marketing e produção de conteúdo.
A expectativa é reunir cerca de 10 mil participantes durante os três dias de programação.
Como será a Creator Economy em 2030?
A transformação atual, na avaliação de Fernanda Pincherle, deve se aprofundar nos próximos anos.
Para a executiva, até 2030 a separação entre um criador de conteúdo e uma empresa tradicional deverá ficar cada vez menos evidente.
A expectativa é de um mercado mais profissionalizado e internacional, no qual alguns criadores passarão a comandar estruturas que combinam mídia, produtos, comunidades e diferentes fontes de receita.
“Veremos um mercado com um nível de profissionalização e escala sem precedentes, onde criadores atuarão como fundadores de grandes conglomerados de mídia e produtos”, projeta.
Nesse cenário, automações avançadas de inteligência artificial, internacionalização dos negócios e modelos de monetização baseados em comunidades devem ocupar espaço cada vez maior.
Se essa projeção se confirmar, a próxima fase da Creator Economy poderá ser marcada menos pela figura do influenciador que monetiza audiência isoladamente e mais pelo surgimento de empresas construídas a partir da audiência, do conhecimento e das comunidades desenvolvidas pelos próprios criadores.


