Com a aproximação do Carnaval, Salvador entra no verão de 2026 como um dos principais motores da economia criativa no país.
Impulsionada pelos setores de eventos e turismo, a capital baiana registra forte aquecimento da atividade econômica e amplia sua visibilidade nacional como destino cultural durante a alta temporada.
Nas últimas décadas, a indústria criativa da Bahia, em diálogo com áreas como música, artes, design, audiovisual, moda e cultura, tem se consolidado como vetor de desenvolvimento econômico e urbano.
Durante o verão, esse movimento se intensifica e transforma a cidade em uma vitrine estratégica para o mercado nacional.
Dados do último relatório da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) apontam que a indústria criativa brasileira movimentou mais de R$ 393 bilhões em 2023, o equivalente a 3,59% do Produto Interno Bruto (PIB).
A expectativa é que Salvador concentre, no primeiro trimestre de 2026, uma parcela significativa dessa movimentação, impulsionada pelo aumento do fluxo turístico.
Atuando há dez anos no setor de eventos, a produtora, founder e CEO da Festa Preciosa, Marcela Silva, avalia que o verão soteropolitano deixou de ser apenas um período festivo para assumir um papel estratégico na economia criativa.
“Quando a gente pensa no ‘verão’ como propulsor do turismo e da economia, como cultura e experiência urbana, Salvador nos mostra que já tem tudo para liderar esse movimento. O ano de 2026 será um divisor de águas para colocar a nossa capital em evidência, já que o número de turistas deve aumentar consideravelmente”, afirma.
Segundo projeções da Secretaria de Cultura da Bahia (Secult), Salvador inicia a alta temporada com a expectativa de receber 3,4 milhões de turistas, cerca de 800 mil a mais do que a média registrada em 2025.
A capital disputa atenção com destinos como Rio de Janeiro, Recife e Fortaleza, impulsionada por ensaios, festas temáticas e pelo maior Carnaval de rua do mundo.
“Esse é o momento de aproveitarmos a ‘maior vitrine do planeta’ e consolidar projetos e ações para as múltiplas comunidades espalhadas por Salvador”, completa Marcela.
O Carnaval segue como a principal força econômica do período. Em 2025, a festa movimentou mais de R$ 1,8 bilhão na economia local.
Para a produtora, além do impacto financeiro, o evento funciona como plataforma estratégica da economia criativa ao evidenciar a diversidade de experiências oferecidas pela cidade.
“Entre os meses de janeiro a março, temos a maior vitrine afetiva do mundo quando o assunto é festa, música e ocupação urbana”, destaca.
Segundo ela, comunidades de nicho representam uma força relevante dentro desse cenário, embora ainda pouco observada pelo mercado.
“O mercado é amplo, mas fragmentado. Além das multidões que participam da folia, há um público segmentado que busca festas com espaços seguros, infraestrutura adequada e experiências autênticas ligadas à sua comunidade”, explica.
No comparativo com outros carnavais do país, como Olinda e Rio de Janeiro, Marcela aponta que Salvador se diferencia pela escala e pela diversidade de experiências simultâneas.
Enquanto outras capitais concentram eventos em áreas específicas, a capital baiana distribui festas por diferentes bairros, formatos e públicos, criando um calendário que se estende por todo o verão.
Salvador e iniciativas voltadas à diversidade
Aproveitando o calendário festivo e o intenso fluxo de turistas, Marcela destaca o potencial de Salvador para se consolidar como um polo global de iniciativas voltadas à diversidade.
Segundo ela, eventos bem estruturados funcionam como motores do turismo e ampliam a visibilidade cultural da cidade.
Nesse contexto, a Festa Preciosa foi criada como um projeto voltado ao público feminino. Fundada em 2022, a iniciativa ganhou espaço pelo formato organizado, infraestrutura completa e produção conduzida exclusivamente por mulheres.
“Salvador tem público, artistas e um calendário disputado. O desafio é transformar essas condições em experiências que dialoguem com a cultura local, o fluxo turístico e a economia da cidade, sem perder a identidade que faz da festa ser algo único”, afirma.
“No caso da Preciosa, a proposta é gerar um espaço de afeto, identidade e pertencimento próprio, feito de mulheres e para mulheres”, completa.
Desde a criação, a Festa Preciosa já reuniu mais de 6 mil mulheres e movimentou mais de R$ 1 milhão na economia local.
“Durante essas cinco edições, observamos um aumento na participação de mulheres de outras cidades e estados, que vêm curtir a Preciosa e acabam injetando recursos na economia local, no turismo, na alimentação e em outros serviços”, conclui Marcela.


