Nos últimos anos, o cinema brasileiro tem se sentado à mesma mesa que as grandes produções de Hollywood. Em 2025, Ainda Estou Aqui trouxe para casa o Oscar de Melhor Filme Internacional e, neste ano, O Agente Secreto chegou à premiação com quatro indicações. O reconhecimento internacional ajudou a reacender o interesse dos brasileiros pelas próprias obras e, com a temporada de premiações se aproximando, também surge a pergunta: o que está acontecendo com o cinema brasileiro?
Entre os dias 1º e 11 de outubro, o Rio de Janeiro será palco do maior festival de cinema da América Latina. O Festival do Rio reúne produções brasileiras e internacionais em diferentes mostras e transforma a cidade em ponto de encontro para quem faz, acompanha e gosta de cinema.
Na Première Brasil, principal vitrine da produção nacional dentro do festival, foram selecionados 101 filmes entre quase 1.500 inscritos. O número ajuda a dar uma dimensão do que existe por trás das obras que chegam às grandes premiações: uma extensa safra de produções brasileiras, com diferentes histórias, estilos e colaboradores.
O festival também aposta em filmes que ainda estão lutando para conquistar seu espaço. A mostra Expectativa, por exemplo, reúne diretores e diretoras que estão entre o primeiro e o terceiro longa-metragem. São novos olhares que chegam ao Rio depois de passarem por diferentes festivais internacionais.
Entre os títulos estão Memória de Menina, de Judith Godrèche, adaptação de uma obra de Annie Ernaux; Iván & Hadoum, de Ian de la Rosa, vencedor do Teddy Award no Festival de Berlim; e A Gradiva, de Marine Atlan, premiado na Semana da Crítica de Cannes.
A seleção também inclui Flor de Fogo, documentário franco-brasileiro de Ana Vaz, premiado em Locarno, além de produções da Turquia, Nigéria, Reino Unido e Alemanha.
O que vem por aí no cinema nacional
Se o Oscar apresentou ao mundo alguns dos filmes brasileiros que conseguiram chegar mais longe, o Festival do Rio permite olhar para os próximos nomes que também podem chegar lá.
A Première Brasil reúne diferentes gerações de cineastas e coloca lado a lado diretores já conhecidos e novos realizadores. É uma oportunidade de acompanhar não apenas os filmes que já chegam cercados de expectativa, mas também aqueles que ainda estão começando a construir seu caminho.
Pelo segundo ano consecutivo, as mostras Expectativa e Première Latina terão votação popular. O espectador poderá avaliar os filmes por meio de um QR Code disponível nas salas do circuito do festival. Os vencedores terão uma oportunidade de continuar sua circulação no Brasil: o filme escolhido na Expectativa será adquirido pela TV Globo, enquanto o vencedor da Première Latina terá os direitos de TV paga e streaming adquiridos pelo Telecine.
A iniciativa aproxima a experiência do festival de quem está sentado na sala. Afinal, não basta descobrir um filme. Para que ele encontre seu público, também é preciso que exista espaço para continuar circulando.
Além da produção brasileira, o Festival do Rio olha com atenção para outras cinematografias do continente com a Première Latina, uma das mostras tradicionais do evento.
Entre os novos títulos anunciados estão Cinzas na Boca, dirigido pelo mexicano Diego Luna, e O Degelo, de Manuela Martelli. Os dois passaram por Cannes e chegam ao festival para suas primeiras exibições no Brasil.
A seleção também reúne produções da Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai, México e outros países da América Latina, reforçando uma das características do evento: usar o cinema como ponto de encontro entre diferentes culturas.
O que esperar do Festival do Rio 2026?
Em um momento em que o cinema brasileiro voltou aos holofotes dentro e fora do país, o Festival do Rio chega como um espaço para olhar tanto para os que já conquistaram seu lugar quanto para aqueles que ainda estão começando.
A edição de 2026 reúne filmes brasileiros, produções latino-americanas e obras de diferentes partes do mundo, além de nomes consagrados e cineastas em início de carreira.
Depois de um Oscar histórico e de novas indicações internacionais, o próximo passo é descobrir quais serão as próximas histórias a representar o cinema brasileiro nas ruas de Hollywood. E, entre os dias 1º e 11 de outubro, o público carioca terá a chance de descobri-las primeiro.


