A consolidação da inteligência artificial nas buscas online está transformando a forma como consumidores encontram informações e empresas na internet.
Segundo levantamento da Hostinger, o alcance do ChatGPT em sites brasileiros já chega a 15%, acima da média global de 9%, indicando que assistentes de IA estão assumindo um papel cada vez mais relevante na descoberta de conteúdo.
O cenário tem levado especialistas a alertar para a necessidade de investimentos em infraestrutura digital, desempenho técnico e organização de dados para evitar perda de visibilidade online.
Bots de IA ganham espaço nas buscas
O estudo Global Media Pitch analisou 66,7 bilhões de solicitações realizadas por robôs de rastreamento em cerca de 5 milhões de sites ao redor do mundo.
Os dados mostram que os bots de inteligência artificial deixaram de atuar apenas na indexação de páginas e passaram a influenciar diretamente as respostas geradas por assistentes virtuais.
Segundo a pesquisa, essa mudança altera a lógica tradicional do SEO, reduzindo a dependência exclusiva de palavras-chave e aumentando a importância da estrutura técnica dos sites.
Os sistemas de IA tendem a privilegiar conteúdos com carregamento rápido, dados organizados e informações facilmente interpretáveis por máquinas.
Brasil se destaca no uso de assistentes de IA
O levantamento aponta que o Brasil apresenta um comportamento diferente da média global na atuação de robôs voltados à inteligência artificial.
Enquanto mundialmente o ChatGPT registra alcance de 9%, no Brasil esse índice sobe para 15%. Já o OpenAI SearchBot mantém cobertura semelhante à média global, mas realiza rastreamentos mais profundos em páginas brasileiras.
Outros sistemas também registraram atividade superior no país:
- Amazonbot: 8% de alcance no Brasil, contra 3% global;
- Applebot: 33% de cobertura;
- Google Chrome Privacy: 24% no Brasil, ante 19% no cenário mundial.
Ferramentas tradicionais perdem espaço
O estudo também identificou uma redução na presença de ferramentas tradicionais de SEO no mercado brasileiro.
O AhrefsBot aparece com cobertura de 40% no Brasil, abaixo da média global de 49%. Já o SemrushBot registra 14% no país, contra 18% no restante do mundo.
Segundo a análise, esse movimento sugere uma mudança no foco das estratégias digitais, que passam a depender menos de monitoramento de palavras-chave e mais da construção de autoridade técnica e semântica.
Dependência de plataformas externas preocupa especialistas
Outro ponto destacado pelo levantamento é o crescimento da fragmentação do tráfego digital em aplicativos de mensagens e redes sociais.
Embora plataformas como WhatsApp continuem gerando tráfego e citações, especialistas alertam que a dependência excessiva de ambientes controlados por terceiros pode representar riscos para empresas que não possuem uma estrutura digital própria consolidada.
Nesse contexto, o site institucional passa a ser visto não apenas como um canal de presença digital, mas como a principal fonte de informação utilizada por sistemas de inteligência artificial para interpretar e citar uma marca.
Empresas bloqueiam treinamento de IA
A pesquisa também mostra que o Brasil está entre os países que mais restringem o acesso de robôs utilizados para treinamento de modelos de inteligência artificial.
Entre os exemplos citados estão o Meta ExternalAgent e o ClaudeBot. A exceção é o GPTBot, da OpenAI, que apresenta alcance de 32% no Brasil, acima dos 12% observados globalmente.
Nova disputa pela visibilidade digital
Apesar do crescimento dos assistentes de IA, os mecanismos de busca tradicionais continuam relevantes. O Googlebot, responsável pelo rastreamento do Google, mantém cobertura de 70% dos sites brasileiros analisados, embora abaixo da média global de 77%.
Para especialistas, a principal mudança está no fato de que a disputa pela visibilidade online deixou de ocorrer apenas nos resultados de pesquisa convencionais e passou a incluir as respostas geradas por inteligência artificial.
Nesse cenário, empresas que investirem em desempenho técnico, estrutura de dados e governança digital tendem a aumentar suas chances de serem citadas pelos sistemas de IA. Já organizações que mantiverem sites desatualizados ou mal estruturados podem enfrentar perda gradual de relevância na jornada digital dos consumidores.


