Em plena era do Spotify, Apple Music e outras plataformas de streaming, um formato que parecia destinado às estantes dos colecionadores voltou a registrar crescimento: o CD.
Dados da Recording Industry Association of America (RIAA) mostram que 17,5 milhões de CDs foram vendidos nos Estados Unidos durante o primeiro semestre de 2026, contra aproximadamente 12 milhões no mesmo período do ano passado.
O resultado representa um crescimento de 45,7% nas unidades comercializadas.
Em dinheiro, a recuperação foi ainda maior. As vendas de CDs movimentaram US$ 171,1 milhões nos primeiros seis meses de 2026, alta de 58,6% na comparação anual.
Os números chamam atenção principalmente porque o avanço acontece depois de uma queda de 22% registrada entre 2024 e 2025.
Afinal, o CD está voltando?
Ainda é cedo para afirmar que o CD voltará aos níveis registrados antes da popularização da música digital. Os números de 2026, porém, mostram uma mudança relevante no consumo de mídia física.
O movimento não acontece isoladamente.
Nos últimos anos, os discos de vinil também recuperaram espaço entre consumidores, colecionadores e fãs interessados em possuir fisicamente os álbuns de seus artistas favoritos.
Agora, o CD começa a apresentar sinais semelhantes.
Além de ser mais barato e compacto que o vinil, o formato também carrega um forte componente de nostalgia para consumidores que cresceram durante os anos 1990 e 2000.
Ao mesmo tempo, uma nova geração de fãs passou a ter contato com CDs como itens colecionáveis, mesmo tendo o streaming como principal forma de ouvir música no cotidiano.
Streaming continua dominando o mercado
O crescimento dos CDs não significa que o streaming esteja perdendo sua posição dominante.
As plataformas digitais continuam responsáveis pela maior parte da receita da indústria musical nos Estados Unidos.
O que os números indicam é que possuir fisicamente um álbum voltou a ter valor para uma parcela dos consumidores.
Na prática, streaming e mídia física passam a atender necessidades diferentes.
Serviços digitais oferecem acesso imediato a milhões de músicas. CDs e discos de vinil, por outro lado, podem funcionar como objetos de coleção e como uma forma de demonstrar ligação com determinado artista.
Artistas ajudam a transformar CDs em itens de coleção
A própria indústria musical também mudou a maneira de vender mídia física.
Lançamentos podem receber diferentes capas, versões especiais, encartes, fotografias, caixas e outros conteúdos destinados principalmente aos fãs.
Isso transforma o CD em algo diferente do produto que dominava as lojas de música há duas ou três décadas.
Antes, comprar um disco físico era praticamente uma necessidade para ouvir um álbum quando ele não estava disponível no rádio ou na coleção de outra pessoa.
Hoje, a música pode ser reproduzida instantaneamente pelo celular. A compra do CD passa a ter também um componente de colecionismo e vínculo com o artista.
O fenômeno da mídia física
A recuperação dos CDs faz parte de um movimento maior de revalorização de produtos físicos em um mundo cada vez mais digital.
O vinil foi o primeiro grande exemplo dessa tendência dentro da indústria musical.
Agora, o crescimento registrado em 2026 levanta a possibilidade de que os CDs também encontrem um novo espaço no mercado, ainda que diferente daquele ocupado no auge do formato.
Não se trata necessariamente de substituir Spotify ou outras plataformas. O consumidor pode ouvir o álbum pelo streaming durante o dia e, ao mesmo tempo, querer possuir uma edição física daquele mesmo trabalho.
É justamente essa combinação entre conveniência digital, nostalgia e colecionismo que ajuda a explicar por que um formato que parecia ultrapassado voltou a aparecer nas estatísticas da indústria musical.


