Bienal do Livro Rio 2025: recordes, superlotação e o despertar da leitura no Brasil

Evento literário no Rio de Janeiro bate recordes de visitação e movimentação financeira, destacando o impacto do engajamento digital na leitura brasileira.

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A maior feira literária do Brasil aconteceu no Rio de Janeiro nas últimas semanas e divulgou a visitação de 740 mil pessoas em seus pavilhões. A movimentação de R$535,4 milhões, divulgada pela prefeitura, foi o resultado de um evento de sucesso e em crescimento.

A Bienal do Livro 2025 foi abrigada pela Cidade Maravilhosa durante os dias 13 a 22 de junho, no espaço de eventos Rio Centro. A edição deste ano apresentou um recorde de público: de acordo com dados divulgados pelo evento, 740 mil pessoas visitaram os 4 pavilhões.

Os recordes não param por aí: a venda de livros atingiu a marca de 6,8 milhões de exemplares e, segundo a prefeitura do Rio, movimentou cerca de R$ 215,4 milhões somente para as editoras e R$ 535,4 milhões para toda a cidade do Rio.

Este ano, o evento contou com atrações inéditas, como roda-gigante, escape room, labirintos temáticos e estandes personalizados. Isso tudo sem contar as sessões de autógrafos que contaram com autores como Lynn Painter e Raphael Montes, autores dos best-sellers “Melhor Do Que Nos Filmes” e “Jantar Secreto”, respectivamente. A emissão de senhas e ingressos para as atrações pôde ser feita pelo próprio site da Bienal.

Roda Gigante instalada na área externo da Bienal do Livro Rio 2025 – Foto – Julia Rabaça

A grande procura pelos ingressos, impulsionada pelas novidades prometidas, fez com que muitas pessoas relatassem dificuldade de movimentação no espaço e filas enormes em vários estandes. O público amplo e diversificado resultou em uma superlotação desconfortável para muitos, principalmente nos finais de semana.

“Assim que eu entrei, fui logo nos estandes que tinham promoção que pesquisei no TikTok e basicamente estava lotado, tudo estava lotado, tinha uma fila enorme até para ir ao banheiro. Os estandes das editoras famosas como a Rocco, Intrínseca estavam com uma fila quilométrica, que só para ficar na fila já seria uns 20 minutos no mínimo”, disse Rebeca, visitante do evento.

Apesar de a quantidade de pessoas que trabalharam na Bienal não ter sido divulgada, a estimativa está na casa dos milhares. Eventos de grandes proporções como esse envolvem equipes enormes de trabalhadores e prestadores de serviços. Contudo, a quantidade e talvez o espaço não foram suficientes para suprir a demanda.

De acordo com a entrevistada, as questões podem prejudicar a imersão na feira.

“No geral, até consegui comprar alguns livros, aproveitar para ver algumas das editoras que eu já queria e algumas experiências, mas eu acho que a superlotação dentro dos pavilhões, até mesmo para você andar, afetou um pouco a experiência.”

Acontece que, mesmo com todas essas ponderações, o evento não deixou de ser um sucesso, chamando atenção para a movimentação de todas as gerações. Muitas pessoas fazem questão de estar presentes em todas as edições e desfrutar da feira literária.

Corredores cheios na Bienal do Livro Rio 2025 – Foto – Julia Rabaça

Índices de leitura no Brasil 

Agora, o que desperta curiosidade é entender como um evento literário pode ter tamanha repercussão em um país de não leitores.

De acordo com a sexta edição da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, metade dos brasileiros não lê, e não para por aí: também foi apontado que, de 2019 a 2024, houve uma queda de 7 milhões de leitores.

Acontece que, mesmo com um cenário difícil e números ainda considerados baixos, existe um incentivo impulsionado pelo mundo digital.

Atualmente, as redes sociais contam com vários criadores de conteúdo voltados para o mercado da leitura.

Os famosos “BookTokers” compartilham indicações, resenhas e divulgação de editoras, clubes e dos próprios exemplares.

Pode-se dizer que ainda falta bastante para a Geração Z se tornar uma geração de leitores, mas existe o potencial gerado pelo poder influenciador das redes.




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