No terceiro dia do Rio Innovation Week, a futurista norte-americana Amy Webb abriu sua participação no painel Tendências Emergentes de Tecnologia com bom humor e um toque de tecnologia.
Usando inteligência artificial para clonar a própria voz em português, ela brincou: “Me sinto tão em casa aqui. Talvez seja o meu cabelo grande, talvez a minha personalidade forte. Me sinto brasileira, mas, infelizmente, não falo português, por isso clonei minha voz”.
Fundadora e CEO do Future Today Strategy Group há 19 anos e professora de previsão estratégica na New York University (NYU), Webb instigou o público logo no início: “O que é mais importante — o meio, quem entrega a mensagem ou o conteúdo em si?”
Sua empresa, especializada em visão estratégica do futuro, combina coleta massiva de dados, curadoria e reconhecimento de padrões para identificar tendências de longo prazo.
Tendências não bastam
Segundo Webb, prever o futuro exige mais do que identificar uma tendência. “Uma tendência por si só não é suficiente. Você pode estar certo por pouco tempo. É preciso basear cenários em dados matemáticos e desenvolver estratégias para orientar decisões”, destacou.
O Future Today atende clientes de diferentes setores, como Globo e Dell. “Eles nos procuram quando não conseguem visualizar o futuro. Meu trabalho é trazer clareza”, afirmou.
Influenciadores: do palco à IA
A futurista citou a influenciadora brasileira Virginia Fonseca como exemplo do fenômeno atual das redes sociais, mas lembrou que influenciadores sempre existiram, seja no cinema, rádio ou teatro. A novidade, segundo ela, é a transformação desse papel por meio da tecnologia.
Webb aposta no que chama de “marketing de influenciadores de agente” — modelos autônomos de IA capazes de criar milhões de versões de um influenciador, produzindo conteúdos segmentados para micro nichos.
“A IA será o meio, a mensagem e o mensageiro”, disse, prevendo um crescimento acelerado de micro marcas para mercados altamente específicos.
O fim da pesquisa tradicional
Para Webb, a internet caminha para um cenário “sem cliques”, no qual sistemas colaborativos de IA realizarão pesquisas e fornecerão resultados diretamente, sem que o usuário precise navegar.
Ela também prevê que, no consumo, a IA criará experiências totalmente personalizadas, do design à fabricação, com base nas medidas e preferências individuais.
“No futuro, os modelos de IA serão as marcas”, declarou, desafiando o público a refletir: “Estamos inovando ou repetindo? Vocês podem inventar o futuro, mas isso exige coragem, trabalho e disposição para assumir riscos”.


