6 mulheres que lideram grandes redes e impulsionam o franchising no Brasil

Executivas destacam como estratégia, gestão e propósito fortalecem o crescimento das franquias no país

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O Brasil tem cerca de 10,3 milhões de mulheres à frente de negócios próprios, segundo levantamento do Sebrae com base na PNAD Contínua do IBGE. No franchising, setor reconhecido pelo modelo estruturado e escalável, o protagonismo feminino avança de forma consistente.

As mulheres já são maioria na força de trabalho das franquias e ampliam, ano a ano, sua presença na liderança de unidades e redes.

Mais do que números, o cenário reflete uma mudança de mentalidade. Cada vez mais mulheres optam por empreender, liderar equipes e assumir posições estratégicas, contribuindo diretamente para o crescimento do setor.

Esse avanço também é percebido dentro das corporações. A presença feminina em cargos de liderança segue em expansão, ainda que de forma gradual, e acompanha um amadurecimento do mercado, no qual diversidade deixa de ser apenas pauta social e passa a ser reconhecida como vantagem competitiva.

Empresas diversas tendem a inovar mais, compreender melhor o comportamento do consumidor e responder com agilidade às transformações do mercado, especialmente em segmentos como saúde, beleza e serviços.

No franchising, os dados confirmam essa evolução. De acordo com a Associação Brasileira de Franchising (ABF), a participação feminina nas redes franqueadoras cresceu de 46% para 57% entre 2015 e 2024. Já nos cargos de liderança, o avanço foi de 19% para 29% no mesmo período.

Seis executivas de grandes redes compartilham desafios, estratégias e aprendizados na condução de negócios em expansão no Brasil.

Veja também: Cidades em que o franchising mais cresce no país, segundo ABF 

Andrea Kohlrausch – presidente da Calçados Bibi

Andrea Kohlrausch – presidente da Calçados Bibi

Assumir a presidência de uma empresa com mais de sete décadas de história exige equilíbrio entre tradição e inovação. À frente da Calçados Bibi, Andrea Kohlrausch lidera uma operação com mais de 1.100 colaboradores e presença no Brasil, América Latina e África.

A executiva destaca que o processo de sucessão em empresas familiares exige planejamento e cuidado. No caso da Bibi, a transição levou sete anos até ser concluída, em 2019.

Entre os desafios da liderança feminina, Andrea aponta a conciliação de múltiplos papéis. “A organização e a construção de uma rede de apoio foram essenciais para equilibrar a agenda profissional e pessoal”, afirma. Ela também destaca a importância de priorizar o bem-estar. “Hoje reservo o início do dia para atividades físicas, algo fundamental para manter a saúde e a produtividade.”

Lilian Marques – diretora de Expansão Brasil da Rede iGUi

Lilian Marques – diretora de Expansão Brasil da Rede iGUi

No setor de casa e construção, tradicionalmente dominado por homens, Lilian Marques se destaca na condução da estratégia de expansão da iGUi, uma das maiores redes de franquias do país.

Responsável pelo desenvolvimento territorial da marca, a executiva lidera negociações, estudos de mercado e implantação de novas unidades. A iGUi está presente em mais de 50 países e lidera o ranking da ABF de franquias internacionais em número de nações.

Para Lilian, um dos principais desafios é romper estereótipos. “É necessário demonstrar competência técnica e segurança na tomada de decisão. Ao mesmo tempo, a liderança feminina contribui com escuta ativa e visão sistêmica, essenciais para uma expansão consistente”, destaca.

Ela reforça que crescimento sustentável depende de planejamento. “Expandir não é apenas abrir unidades, mas garantir viabilidade, suporte e rentabilidade para cada operação.”

Renata Morais – sócia-administradora da Rockfeller Language Center

Renata Morais – sócia-administradora da Rockfeller Language

À frente de uma rede com mais de 100 unidades e faturamento de R$ 80 milhões em 2024, Renata Morais consolidou a Rockfeller como referência nacional no ensino de idiomas, com forte aposta em inovação e uso de inteligência artificial.

A executiva destaca o desafio de equilibrar firmeza e sensibilidade na liderança. “O sucesso não está apenas no resultado final, mas na jornada e na capacidade de construir junto”, afirma.

Atualmente, cerca de 15% dos franqueados da rede são mulheres, número que ainda pode crescer. Renata defende o empreendedorismo como ferramenta de autonomia. “É fundamental incentivar mais mulheres a ocuparem espaços de decisão e investirem em seus próprios negócios.”

Bruna Vasconi – sócia-fundadora do Peça Rara Brechó

Bruna Vasconi – sócia-fundadora do Peça Rara Brechó

A trajetória de Bruna Vasconi começou aos 13 anos, vendendo roupas, e evoluiu para a criação de uma das principais redes de moda circular do país. O Peça Rara Brechó soma mais de 130 unidades e faturamento superior a R$ 250 milhões.

A empresária destaca a gestão do tempo como um dos principais desafios. “Ser mãe, empresária e líder de uma grande operação exige equilíbrio constante”, afirma.

Bruna também ressalta a importância da liderança feminina na mediação de conflitos e na construção de soluções mais equilibradas. “Firmeza e sensibilidade podem caminhar juntas e fortalecer a cultura da empresa.”

Luciana Melo – CEO e fundadora do Café Cultura

Luciana Melo – CEO e fundadora do Café Cultura

Para Luciana Melo, liderança feminina está diretamente ligada à construção de ambientes mais colaborativos e inovadores. À frente do Café Cultura, ela conduziu a expansão da marca com foco em valores, relacionamento e padronização.

Um dos principais desafios foi crescer sem perder a essência da marca. “A expansão por franquias exige processos bem definidos e comunicação eficiente para manter a identidade em todas as unidades”, explica.

A executiva também destaca a necessidade de superar barreiras em ambientes ainda majoritariamente masculinos. “Resultados consistentes e inovação são fundamentais para quebrar essas barreiras.”

Claudia Abreu – CEO da Royal Face

Claudia Abreu – CEO Royal Face

No segmento de saúde e estética, Claudia Abreu lidera a expansão da Royal Face com foco em cultura organizacional, experiência do cliente e transformação digital.

Com trajetória marcada pela gestão de projetos e crescimento acelerado, a executiva defende uma liderança orientada a resultados com propósito. “Empresas fortes são construídas por pessoas preparadas e decisões estratégicas bem executadas”, afirma.

Para Claudia, o avanço feminino na liderança amplia a visão de negócios. “Quanto mais mulheres ocupam posições estratégicas, mais fortalecemos o mercado e abrimos caminho para novas lideranças.”

Veja também: Quando as mulheres vão ser protagonistas nas empresas familiares?

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