Times do futebol brasileiro se reúnem em manifesto contra a restrição das casas de apostas

Nove times da Série A do Brasileirão saíram em defesa do mercado regulado de apostas esportivas.

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Na última quinta-feira (17/09), Flamengo, Fluminense, Corinthians, Palmeiras, Santos, São Paulo, Botafogo, Vasco e Cruzeiro soltaram uma nota em conjunto, se manifestando contra a possibilidade de restrição das apostas regulamentadas no Brasil.

A manifestação, com o título “O fim do futebol brasileiro”, foi divulgada após uma Medida Provisória preparada pelo Governo Federal para proibir os cassinos online no Brasil.

Os clubes alegam que proibir o mercado de apostas reguladas não resolveria o problema, apenas abriria espaço para o crescimento de cassinos clandestinos online, sem nenhum tipo de limite ou supervisão.

“Inviabilizar esse modelo não fará com que as apostas deixem de existir. Apenas abrirá o caminho para que os consumidores migrem integralmente para plataformas clandestinas, que não pagam impostos, não respeitam limites, não oferecem instrumentos de proteção e não colaboram com as autoridades”, afirma a nota.

Além disso, as instituições também afirmam que a retirada de maneira abrupta deste investimento resultaria em um desequilíbrio financeiro que não afetaria somente setores de grandes clubes que não podem se bancar de maneira totalmente independente, como o futebol feminino, mas também afetaria clubes menores.

“Os recursos também alcançam equipes de menor expressão, divisões de acesso e competições com menor exposição comercial. Para muitas dessas agremiações, especialmente aquelas localizadas no interior do país, não existe hoje outro segmento econômico capaz de substituir imediatamente esse investimento.”

CENÁRIO ATUAL DAS BETS NO FUTEBOL

Em 2026, 13 equipes que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro possuem contrato de patrocínio com casas de apostas, que somam aproximadamente 1 bilhão de reais movimentados em 2026, de acordo com levantamento feito pela revista Placar.

Além disso, no cenário atual, casas de apostas não chegam a patrocinar somente os times. Um exemplo é a Betano, que foi a principal patrocinadora da Copa do Brasil em 2025 e do Campeonato Brasileiro em 2026.

Em nota, os clubes afirmam que a retirada destes patrocinadores impactaria de maneira direta nos investimentos realizados, colocando em risco parte da estrutura financeira do futebol brasileiro.

Além disso, nos últimos anos, a receita gerada pelos cassinos online foi a responsável por impulsionar de maneira significativa a competitividade e o nível do futebol nacional.

Vale lembrar que, desde 2019 até o momento atual, somente times brasileiros conquistaram o título da CONMEBOL Libertadores. De acordo com a nota divulgada, isso só foi possível com os investimentos das bets, destacando como elas foram responsáveis pela formação da hegemonia brasileira dentro das competições continentais.

“Importante ressaltar que, nos últimos anos, o investimento das empresas de apostas autorizadas tornou-se uma das principais fontes de receita do esporte. Este investimento impulsionou o futebol brasileiro de tal forma a dominar o cenário sul-americano em competições como a CONMEBOL Libertadores e a CONMEBOL Sul-Americana e a colocar clubes brasileiros em posição de protagonismo”, destaca a nota.

MOTIVO DA RESTRIÇÃO

Pela visão do Ministério Público, a preocupação com os efeitos da popularização das apostas esportivas, especialmente em relação a pessoas mais vulneráveis ao vício e ao endividamento, foi o que motivou a proposta de restrição das bets.

Segundo a pesquisa Pulso Apostas 2026, realizada pela Hibou, 53% dos apostadores entrevistados afirmaram já ter atrasado o pagamento de alguma conta para continuar jogando. Além disso, 59% disseram ter reduzido gastos domésticos em razão das apostas.

De acordo com dados da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, brasileiros depositaram aproximadamente 220,6 bilhões de reais em sites de apostas esportivas regulamentadas em 2025. 183,7 bilhões deste total retornaram aos apostadores em prêmios e bônus que poderiam ser sacados.

A diferença entre o que foi depositado e o que retornou é de 36,9 bilhões de reais, que permaneceram com as empresas de maneira bruta.

De acordo com o ge, o texto da Medida Provisória já foi aprovado e deve ser publicado até terça-feira (22/09). Apesar disso, ainda há uma articulação para tentar convencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a restringir a proibição a determinados tipos de jogos online.

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