O skate cabe em uma arena olímpica, mas continua pertencendo às ruas. Essa foi a principal mensagem deixada pelos atletas durante a coletiva de imprensa do SLS Rio Takeover. O Rio de Janeiro volta a receber a elite do skate mundial para a terceira etapa da SLS Championship Tour 2026. Integrante de um circuito com sete etapas, a competição também marca um momento histórico: será a primeira vez que o Maracanãzinho recebe um evento oficial da modalidade.
Durante a coletiva realizada nesta sexta-feira (7), atletas e organizadores destacaram a relação do Brasil com a modalidade e o papel do país no crescimento do esporte. Mais do que promover uma etapa do circuito mundial, a SLS busca preservar as raízes do street skate mesmo com a profissionalização da modalidade. Além da competição principal, iniciativas como o Select Series e o In Your City aproximam jovens talentos dos principais nomes do esporte e incentivam que novas gerações encontrem espaço dentro da cultura do skate.
Essa essência, segundo os próprios atletas, nasce nas ruas. Para Giovanni Vianna, é longe das arquibancadas e dos holofotes que o skate constrói sua identidade. O skatista compara o skate de rua à produção de um filme: cada manobra gravada representa uma cena que, reunida, forma um legado que pode durar para sempre.
A mesma ideia foi reforçada pelo canadense Cordano Russell ao falar sobre as video parts, produções audiovisuais gravadas nas ruas que eternizam o estilo e a criatividade dos skatistas. Para ele, esse tipo de conteúdo conecta diferentes gerações e preserva a essência da modalidade mesmo em um cenário cada vez mais competitivo.
A trajetória de Russell também ilustra como o skate dialoga naturalmente com diferentes manifestações culturais. Antes de se dedicar totalmente ao esporte, ele praticou futebol americano, participou de testes para atuação e campanhas de moda, experiências que, segundo o atleta, sempre caminharam ao lado da sua relação com o skate.
Das ruas ao Maracanãzinho
Essa mistura entre esporte, arte e identidade ajuda a explicar por que o skate conseguiu ocupar grandes arenas sem perder sua essência. E talvez não haja exemplo mais simbólico disso do que a etapa deste fim de semana.
A estreia da modalidade no Maracanãzinho foi um dos assuntos mais comentados pelos atletas durante a coletiva. Giovanni Vianna destacou a emoção de competir em um dos espaços esportivos mais tradicionais do país.
“Quando somos crianças, nunca imaginamos que vamos colocar os pés em lugares históricos assim.”
Rayssa Leal também ressaltou o significado de disputar uma competição em um local tão emblemático.
“A minha geração é mais das redes sociais, então eu sei que é um lugar histórico. É uma oportunidade única e espero que a gente possa cada vez mais ir a esses lugares e fazer história com o nosso esporte.”
Se por décadas o skate ocupou praças, calçadas e corrimãos, agora a modalidade escreve um novo capítulo ao entrar pela primeira vez no Maracanãzinho sem abrir mão da cultura construída justamente nesses espaços urbanos.
Uma cultura que atravessa gerações
Marcada para domingo (9), Dia dos Pais no Brasil, a etapa carioca foi pensada para reunir famílias no Maracanãzinho e mostrar que o skate também é um espaço de encontro entre pais e filhos.
Para muitos dos atletas, essa relação faz parte da própria história no esporte. Cordano Russell relembrou que o pai esteve presente em todas as etapas da sua trajetória e que, hoje, os dois compartilham a rotina de viagens pelo mundo acompanhando as competições.
“Meu pai participou de cada etapa da minha jornada. Hoje podemos viajar o mundo inteiro juntos vivendo esse sonho.”
Rayssa Leal também associou sua carreira ao apoio da família. A skatista lembrou que, no início da trajetória, seu pai chegou a organizar uma rifa para que ela pudesse disputar sua primeira competição fora de casa. Para ela, realizar uma etapa da SLS justamente no Dia dos Pais simboliza o papel que muitas famílias desempenham na formação de novos atletas.
“A gente sempre vê os pais levando os filhos ao estádio para assistir futebol. Dessa vez, eles vão assistir ao skate, e vai ser muito irado também.”
Mais do que celebrar quem incentivou os primeiros passos sobre o skate, a data simboliza a continuidade dessa cultura. Se hoje nomes como Rayssa e Giovanni inspiram uma nova geração, é porque, antes deles, também existiram pais, mães e famílias que acreditaram que uma prancha com quatro rodas poderia ser muito mais do que um hobby, poderia se tornar um estilo de vida.


