“Se não retroceder, vai acabar com o esporte no Brasil”, alerta Bap

Presidente do Flamengo fez alerta durante fórum em Campinas sobre efeitos da reforma tributária no financiamento do esporte

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Durante participação no Fórum Nacional de Formação Esportiva, realizado em Campinas, o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, fez críticas à diferença de tributação entre clubes associativos e Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), prevista na reforma tributária sancionada no Brasil.

No centro do debate está a disparidade de carga tributária que passará a vigorar a partir de 2027. Enquanto clubes associativos, como Flamengo e Corinthians, devem enfrentar uma carga entre 10,5% e 16%, as SAFs, modelo adotado por equipes como Cruzeiro e Botafogo, terão tributação de cerca de 6% sobre a receita bruta.

Para Bap, a diferença cria um desequilíbrio estrutural no futebol brasileiro e pode comprometer o financiamento do esporte em diversas frentes.

“A saída é aumentar imposto. Ok, a gente até hoje não resolveu o problema fiscal no Brasil e agora nós vamos matar o esporte do jeito que nós estamos, com as mudanças que aconteceram. Se a gente não retroceder isso, vai acabar com o esporte no Brasil”, afirmou.

O dirigente também destacou que, embora clubes com maior capacidade financeira consigam absorver parte desse impacto, a realidade é diferente para a maioria das instituições esportivas do país.

“O Flamengo tem condições de botar dinheiro no esporte. Os demais clubes, que não têm fins lucrativos, não têm nenhuma condição de manter o esporte do jeito que está”, disse.

Segundo ele, o cenário pode gerar um efeito paradoxal: aumento de arrecadação no curto prazo, mas queda no desempenho esportivo e na formação de atletas ao longo do tempo.

“Sabe o que vai acontecer? Vão quebrar recorde de arrecadação e nunca mais teremos recorde no Brasil”, completou.

SAF não é solução única

Durante a coletiva, Bap também comentou sobre o avanço das SAFs no futebol brasileiro, ressaltando que o modelo pode ser útil em determinados contextos, mas não deve ser tratado como solução universal.

“A SAF é uma ferramenta importante para que alguns clubes possam se recuperar, mas nem todos precisam do mesmo tipo de remédio. No caso do Flamengo, eu acho que não se aplica”, avaliou.

As declarações reforçam o debate em curso no país sobre modelos de gestão no esporte e seus impactos financeiros, especialmente em um momento de transição regulatória.

A discussão envolve não apenas o futebol profissional, mas também a sustentabilidade de modalidades olímpicas, que historicamente dependem do investimento de clubes associativos para formação de atletas.

Veja a fala na íntegra:

*O repórter viajou a convite do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC)

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