O Praia Clube transformou a desconfiança em domínio e conquistou, neste domingo (3), o tricampeonato da Superliga Feminina de Vôlei. No Ginásio do Ibirapuera, a equipe de Uberlândia venceu o Minas Tênis Clube por 3 sets a 0 — parciais de 29/27, 25/21 e 25/13 — em uma final decidida pela consistência, leitura de jogo e eficiência nos momentos-chave.
O resultado quebra o cenário que vinha sendo desenhado ao longo da temporada. Até então, o Minas levava vantagem no confronto direto, mas, na decisão, encontrou um adversário mais ajustado e seguro dentro de quadra.

Ajustes decisivos
O início da partida foi equilibrado, com o Minas mais solto e assumindo as primeiras vantagens no placar. A equipe começou à frente e apresentou bom volume ofensivo com Pri Daroit e Julia Kudiess. No entanto, não sustentou o desempenho. Mesmo em desvantagem, o Praia manteve o controle emocional e passou a encontrar soluções, principalmente no sistema defensivo.
A partir da metade do jogo, o cenário mudou.
O bloqueio do Praia passou a funcionar com mais precisão, chegando com antecedência nas jogadas e limitando as opções ofensivas do Minas. Ao mesmo tempo, o saque ganhou protagonismo ao pressionar a recepção adversária e dificultar a construção das jogadas.
Sem qualidade no passe, o Minas ficou previsível, recorrendo a bolas mais altas e facilitando a marcação. Com isso, o Praia ganhou volume, defendeu mais, contra-atacou melhor e assumiu o controle da partida.
O primeiro set, fechado em 29 a 27 após salvar momentos de pressão, já indicava a mudança de comportamento da equipe na decisão.
Destaques individuais
O desempenho coletivo foi acompanhado por atuações decisivas.
Payton Caffrey terminou como maior pontuadora da final, com 15 pontos (13 de ataque, um de bloqueio e um de saque), sendo fundamental na virada do segundo set, quando engatou uma sequência que mudou o rumo da parcial.
Eleita MVP, Michelle Pavão somou 14 pontos e teve atuação segura nos momentos de maior pressão, sendo uma das referências ofensivas da equipe.

No bloqueio, Adenízia foi determinante. Com 12 pontos, sendo sete no fundamento, comandou a rede e teve papel direto na dificuldade ofensiva do Minas ao longo do jogo.
Números da partida
Os números refletem o domínio do Praia na final:
Praia Clube
- Payton Caffrey: 15 pontos
- Michelle Pavão: 14 pontos
- Adenízia: 12 pontos (7 bloqueios)
- Morgahn Fingall: 9 pontos
Minas
- Pri Daroit: 11 pontos
- Hilary Johnson: 11 pontos
- Julia Kudiess: 9 pontos
Apesar de contar com boas pontuadoras, o Minas não conseguiu manter regularidade, especialmente após a pressão imposta pelo sistema defensivo adversário.
A queda na recepção, somada a erros em momentos decisivos e falhas de comunicação, comprometeu a fluidez do jogo. Sem conseguir variar o ataque, o time passou a sofrer com o bloqueio adversário e perdeu força ao longo da partida.
Título consolida reação na temporada
A conquista também reflete a evolução do Praia ao longo da competição. Após terminar a fase classificatória na quarta posição, a equipe cresceu nos playoffs e chegou à final em seu melhor momento.
O título repete o cenário da temporada 2022/2023, também contra o Minas, e se soma à conquista de 2017/2018, consolidando o clube como uma das principais forças do vôlei nacional.


