Uma pesquisa inédita da Associação Brasileira de Franchising (ABF) revelou que 89% dos franqueados brasileiros recomendariam a franquia onde atuam para amigos ou familiares.
O levantamento, considerado o maior já realizado sobre a percepção dos franqueados no país, ouviu 15.486 empreendedores ligados a 345 redes de franquias distribuídas pelos 12 segmentos do franchising brasileiro.
Realizado pelo instituto BR Insights, com auditoria da KPMG, o estudo também mostrou que 85% dos entrevistados afirmam estar satisfeitos com a franquia e 84% disseram que escolheriam novamente o mesmo negócio caso precisassem tomar a decisão outra vez.
A pesquisa abrangeu franqueados de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal.
Segundo a ABF, a maioria dos participantes possui até cinco anos de contrato com a rede (62%), enquanto 95,5% administram apenas uma unidade franqueada.
O objetivo do estudo foi compreender, pela primeira vez, como os próprios franqueados avaliam o relacionamento com as franqueadoras e quais fatores mais influenciam essa percepção.
Retorno financeiro lidera fatores de satisfação
A pesquisa aponta que o desempenho financeiro continua sendo o principal fator para a satisfação dos empreendedores. Entre os franqueados que afirmaram obter resultados acima das expectativas, o índice de satisfação chegou a 99%.
Para a presidente do Conselho de Ética da ABF, Sylvia de Moraes Barros, mais importante do que os resultados financeiros é a atuação da franqueadora para ajudar seus parceiros a alcançá-los.
“O franqueado quer sentir que a franqueadora está ao seu lado, buscando soluções para melhorar os resultados. Esse é um dos pilares da relação de longo prazo dentro do franchising“, afirma.
Satisfação cai nos primeiros anos e volta a crescer
Outro dado observado pelo levantamento é que a satisfação dos franqueados segue um comportamento em formato de “U”.
O entusiasmo inicial tende a diminuir entre o segundo e o quinto ano de operação, período marcado pelos principais desafios do negócio.

Depois dessa fase, os índices voltam a crescer à medida que a operação amadurece e os problemas iniciais são superados.
Segundo a pesquisa, os franqueados que permanecem na rede após esse período apresentam níveis de satisfação superiores aos registrados no início da operação.

A recomendação é que as franqueadoras desenvolvam estratégias específicas para acompanhar os empreendedores nessa fase de transição.
Suporte e relacionamento aparecem como prioridades
Além dos indicadores quantitativos, o estudo analisou mais de 30 mil respostas abertas enviadas pelos participantes. As manifestações apontam duas grandes áreas prioritárias para o fortalecimento das redes: suporte operacional e relacionamento entre franqueador e franqueado.
No suporte operacional, os temas mais mencionados envolvem modernização de sistemas, apoio na gestão financeira, ações de marketing e maior agilidade nas respostas da franqueadora.
Já no relacionamento, os entrevistados destacam a necessidade de comunicação mais transparente, escuta ativa, maior frequência de reuniões e fortalecimento do marketing institucional.
Para o presidente da ABF, Tom Moreira Leite, o levantamento reforça que os franqueados desejam participar de forma mais ativa da construção das estratégias das redes.
“Ficou claro que o franqueado quer colaborar com sugestões e decisões. Mais do que ouvir, é preciso construir junto. Franqueado é parceiro de negócios e quer ser tratado como tal“, afirmou.


