O Museu de Arte do Rio (MAR) recebeu, na terça-feira (21), a edição 2026 do Festival Pacto das Pretas, considerado um dos principais encontros do país voltados ao protagonismo das mulheres negras.
Integrando oficialmente a agenda do Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, o evento reuniu lideranças, empreendedoras, artistas, especialistas e representantes de diferentes setores para discutir equidade racial, inovação, empreendedorismo, cultura e transformação social.
Em sua quinta edição, o festival consolidou-se como um espaço de diálogo, formação de redes e construção de oportunidades, promovendo debates sobre inclusão, diversidade, desenvolvimento profissional, liderança e fortalecimento da presença das mulheres negras nos espaços de decisão.
Ao longo da programação, o público acompanhou palestras, painéis, rodas de conversa, experiências de networking, apresentações culturais e uma feira de empreendedoras negras, iniciativas voltadas à valorização da produção, da criatividade e dos negócios liderados por mulheres negras.
Proteção às mulheres negras foi tema de um dos principais debates
Entre os destaques da programação esteve a palestra “Proteção às Mulheres e à Coletividade”, ministrada pela pedagoga Soraia Matias, que compartilhou sua trajetória como mulher negra e relacionou sua experiência aos desafios enfrentados por milhares de brasileiras diante das desigualdades sociais, raciais e de gênero.
Durante sua apresentação, Soraia defendeu que a proteção às mulheres deve ser analisada sob a perspectiva da interseccionalidade, conceito que considera como gênero, raça e classe social se cruzam e produzem diferentes níveis de vulnerabilidade.
Segundo a palestrante, as mulheres não partem das mesmas condições de acesso a direitos e oportunidades, tornando fundamental que políticas públicas reconheçam essas diferenças para promover a equidade.
Ela também chamou atenção para os impactos do racismo estrutural e da violência que atinge de forma desproporcional as mulheres negras no Brasil, ressaltando que os elevados índices de assassinatos desse grupo evidenciam a necessidade de ampliar ações voltadas à garantia de direitos e à proteção integral.
Além da violência física, Soraia destacou que a exclusão social, a negação de direitos e as desigualdades no acesso à educação, saúde, segurança e oportunidades também representam formas de violência que precisam ser enfrentadas coletivamente.
Representatividade e empreendedorismo em evidência
Outro momento de destaque foi a participação da atriz Isabel Fillardis, que conduziu painéis voltados à representatividade, autoestima e fortalecimento da presença das mulheres negras em posições de liderança.
A programação também contou com consultorias e mentorias conduzidas por Wânia Santana, oferecendo orientações estratégicas para empreendedoras, incentivando novos negócios, parcerias e o fortalecimento de redes de apoio entre mulheres negras.
As atividades reforçaram que o empreendedorismo feminino negro vai além da geração de renda, sendo uma ferramenta de autonomia econômica, transformação social e ampliação da representatividade em diferentes setores.
Espaço de conexões e transformação social
Mais do que um evento, o Festival Pacto das Pretas reafirmou seu papel como uma plataforma de articulação entre lideranças, empresas, organizações e sociedade civil, promovendo discussões sobre inclusão, diversidade e justiça racial.
Ao reunir especialistas, artistas, empreendedoras e representantes de diferentes áreas, o encontro evidenciou que investir nas mulheres negras significa reconhecer talentos, competências, inovação e saberes capazes de impulsionar mudanças sociais e econômicas em todo o país.


