O avanço do mercado ilegal e sua relação com o domínio territorial do crime organizado foram tema de uma reunião do Conselho de Combate ao Mercado Ilegal da Fecomércio RJ, realizada nesta quinta-feira (13), no Rio de Janeiro. Durante o encontro, dados apresentados pelo Disque Denúncia mostraram a dimensão econômica e territorial do problema no estado.
Um dos números destacados foi o impacto do consumo no mercado informal, estimado em cerca de R$ 4,5 bilhões. Segundo representantes do Conselho, o montante supera o movimento econômico de todas as datas comemorativas do ano.
A reunião contou com a participação de Renato Almeida, diretor-geral do Instituto MovRio e coordenador-geral do Disque Denúncia, e de Lorena Trindade Santos, integrante do Núcleo de Análise Técnica da instituição.
Capital concentra quase metade dos registros
Durante o encontro, Lorena apresentou o estudo “Mercado Ilegal no Rio de Janeiro”, que analisa a formação histórica da ilegalidade no estado, desde o período colonial e imperial até as atuais cadeias de receptação.
O levantamento aborda ainda a informalidade urbana e as transformações do mercado ilegal ao longo do tempo.
Segundo os dados apresentados, 49,4% dos registros de roubos de cargas e receptação em 2025 ficaram concentrados na cidade do Rio de Janeiro. Centro, Campo Grande e Realengo aparecem entre as áreas de maior destaque no levantamento.
“O mercado ilegal carioca é um fenômeno adaptativo, territorializado e estruturalmente integrado à economia urbana, do contrabando colonial às cadeias contemporâneas do roubo de cargas”, afirmou Lorena Trindade Santos.
Domínio territorial amplia impacto sobre a economia
A análise apresentada durante a reunião aponta que o problema atualmente vai além da receptação e da compra de mercadorias ilegais. Cerca de 2,5 milhões de pessoas vivem em áreas dominadas pelo crime organizado, onde grupos criminosos podem interferir também na oferta e no consumo de determinados produtos e serviços.
Para o secretário do Conselho de Combate ao Mercado Ilegal, João Gomes, a expansão dessas atividades está diretamente relacionada ao avanço do domínio territorial exercido pelo crime organizado.
“A consolidação dessa cadeia é preocupante e está diretamente relacionada à ampliação do domínio territorial do crime organizado. Esse cenário produz consequências diretas para o comércio e para a economia, uma vez que o consumo no mercado informal movimentou cerca de R$ 4,5 bilhões, o que equivale a um valor superior a todas as datas comemorativas do ano”, afirmou.
Segundo Gomes, esse controle territorial afeta não apenas a segurança pública, mas também a rotina dos moradores, as relações de consumo e a dinâmica econômica das regiões atingidas.
Combate ao mercado ilegal
Durante a reunião, também foram apresentadas campanhas e iniciativas realizadas pelo Disque Denúncia em parceria com a Fecomércio RJ para enfrentar o mercado ilegal e ampliar a conscientização sobre os impactos dessas atividades na economia e no comércio do estado.


