Léo Pereira critica gramado do Maracanã após sequência intensa de jogos

Campo recebeu nove partidas em 25 dias e já havia sido alvo de críticas após a retomada do calendário; estádio passou por manutenção no primeiro semestre após maratona de jogos

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A classificação do Flamengo para as quartas de final da Libertadores voltou a colocar as condições do gramado do Maracanã em discussão. Após a vitória por 2 a 1 sobre o Cruzeiro, nesta quarta-feira (19), o zagueiro Léo Pereira criticou a qualidade do campo. A reclamação ocorre em meio a uma sequência intensa de partidas no estádio e poucos dias depois de o técnico Abel Ferreira, do Palmeiras, também questionar as condições do piso.

O levantamento feito pelo N4 Sport mostra que o Maracanã recebeu nove partidas em um intervalo de apenas 25 dias, entre 26 de julho e 19 de agosto, envolvendo compromissos de Flamengo, Fluminense e Vasco por Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores.

A sequência começou justamente no retorno do Flamengo ao estádio depois da paralisação provocada pela Copa do Mundo. No empate por 1 a 1 com o São Paulo, em 26 de julho, o campo já apresentava falhas visíveis e trechos com marcas de areia.

Léo Pereira volta a reclamar do gramado

Depois da vitória sobre o Cruzeiro, que classificou o Flamengo às quartas de final da Libertadores, Léo Pereira apontou as condições do campo como uma dificuldade adicional para os jogadores.

A reclamação chama atenção também pelo histórico do próprio defensor. Em fevereiro de 2025, Léo Pereira já havia criticado o Maracanã por considerar o campo excessivamente duro. Na ocasião, afirmou que as condições chegavam a provocar dores nos pés e na coluna dos atletas.

Desta vez, a crítica acontece após um período de utilização intensa do estádio.

Maracanã recebeu nove jogos em 25 dias

Desde o retorno do calendário após a Copa do Mundo, o Maracanã praticamente não teve períodos longos de descanso. Entre 26 de julho e 19 de agosto, foram nove partidas.

26/07 – Flamengo 1 x 1 São Paulo – Brasileirão
29/07 – Fluminense 0 x 0 Bahia – Brasileirão
31/07 – Flamengo x Atlético-MG – Copa do Brasil
01/08 – Vasco 0 x 0 Fluminense – Copa do Brasil
05/08 – Fluminense 1 x 3 Vasco – Copa do Brasil
09/08 – Flamengo 2 x 0 Vitória – Brasileirão
11/08 – Fluminense 0 x 0 Independiente Rivadavia – Libertadores
15/08 – Fluminense 3 x 2 Palmeiras – Brasileirão
19/08 – Flamengo 2 x 1 Cruzeiro – Libertadores

Os registros dos clubes e das competições confirmam a sequência. Fluminense e Bahia jogaram em 29 de julho e, apenas três dias depois, Vasco e Fluminense voltaram a utilizar o estádio. O clássico teve ainda uma particularidade: as duas partidas das oitavas da Copa do Brasil foram realizadas no Maracanã, nos dias 1º e 5 de agosto.

Depois disso, o intervalo continuou curto. Flamengo e Vitória jogaram no dia 9 e, 48 horas depois, Fluminense e Independiente Rivadavia entraram em campo pela Libertadores.

Na sequência, vieram Fluminense x Palmeiras, no dia 15, e Flamengo x Cruzeiro, quatro dias depois.

Na prática, foram nove partidas em 25 dias, média superior a dois jogos por semana. Entre 29 de julho e 11 de agosto, o estádio chegou a receber seis partidas em apenas 14 dias.

Problemas já eram visíveis na retomada

O volume de partidas, porém, não explica sozinho as condições atuais do campo. Isso porque sinais de desgaste já eram registrados logo no primeiro jogo do Flamengo no Maracanã depois da Copa do Mundo.

Em 26 de julho, diante do São Paulo, o gramado apresentava áreas com falhas e marcas de areia. A situação chamou atenção justamente porque o estádio vinha de um período com menor utilização durante a disputa do Mundial.

O cenário levanta uma questão sobre a capacidade de recuperação do campo diante da retomada simultânea das principais competições do calendário brasileiro e sul-americano.

Maracanã já passou por manutenção após maratona em 2026

Não é a primeira vez que a quantidade de partidas exige atenção especial sobre o gramado nesta temporada.

Em março, a administração do Maracanã iniciou uma manutenção programada depois de o estádio receber 18 partidas em 60 dias. Na ocasião, foi identificado desgaste principalmente na grande área do lado norte, região considerada de recuperação mais lenta.

A intervenção incluiu a instalação de novos tapetes de grama provenientes de Saquarema, além de cortes verticais e helicoidais, descompactação do solo, topdressing e adubações intensivas para aumentar a resistência do campo.

Naquele período, a média foi de uma partida a cada 3,3 dias.

Na sequência atual, são nove jogos em 25 dias, aproximadamente uma partida a cada 2,8 dias.

Embora os números indiquem uma intensidade ainda maior de utilização, não é possível atribuir exclusivamente à quantidade de partidas as atuais condições do gramado sem uma avaliação técnica da administração do estádio.

Calendário mantém pressão sobre o campo

A utilização compartilhada do Maracanã por Flamengo e Fluminense é um dos principais desafios para a conservação do gramado. Além do Campeonato Brasileiro, os clubes disputam simultaneamente competições eliminatórias, o que pode concentrar partidas no estádio em pequenos intervalos.

A vitória sobre o Cruzeiro desta quarta-feira colocou o Flamengo nas quartas de final da Libertadores. O Rubro-Negro venceu por 2 a 1, com gols de Arrascaeta e Samuel Lino, depois do empate por 1 a 1 no primeiro confronto.

Agora, além da classificação rubro-negra, a condição do principal palco do futebol carioca volta ao centro das atenções. Depois de nove partidas em menos de um mês e novas reclamações de quem atua no campo, a capacidade de recuperação do gramado do Maracanã passa novamente a ser colocada à prova.

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