“Só quem entende isso aí é quem foi num baile Lado A, Lado B. Aí vai entender o que é o bicho pegar lá dentro.” Foi dessa maneira que Felipe Melo respondeu ao ser questionado pelo N4 Sport sobre as confusões e o clima de tensão que jogadores podem enfrentar em partidas da Copa Libertadores.
Tricampeão do torneio, o ex-jogador participou neste domingo (20) da CONMEBOL Libertadores Experience, na Enseada de Botafogo, no Rio de Janeiro. Durante o evento, o repórter Vinícius Santana, do N4 Sport, perguntou a Felipe Melo sobre a experiência de estar dentro de campo em situações como a pancadaria entre Peñarol e Palmeiras, em 2017, e os incidentes recentes após Platense x Fluminense.
Na resposta, Felipe inicialmente recorreu à comparação com os bailes Lado A, Lado B para dimensionar a tensão vivida em campo.
“Bom, com todo respeito, só quem entende isso aí é quem foi num baile Lado A, Lado B. Aí vai entender o que é o bicho pegar lá dentro. É isso, de fato, é isso”, afirmou.
Na sequência, porém, o ex-jogador mudou o tom e deixou claro que não trata os episódios de violência como algo a ser celebrado.
“Eu lembro com pesar o que aconteceu, porque a gente não quer passar para as pessoas esse negócio de violência, de fato. Apesar de eu ter, quando jogava, um jogo brusco, de fato, um jogo mais forte, né? Além da qualidade, obviamente. Mas você vê, de fato, realmente algo assim que é feio, é ruim”, declarou.
Felipe Melo relembra impacto da pancadaria na família
Felipe Melo também revelou que as consequências desses episódios não terminavam quando ele deixava o estádio. Pai de quatro filhos, contou que precisou conversar com eles após uma das confusões em que se envolveu.
“Eu tenho quatro filhos. Depois que eu cheguei em casa, tinha que explicar para os meus filhos que eu tive que me defender.”
A afirmação remete principalmente a um dos episódios mais conhecidos da passagem do ex-volante pela Libertadores.
Em 26 de abril de 2017, o Palmeiras venceu o Peñarol por 3 a 2 no estádio Campeón del Siglo, em Montevidéu, pela fase de grupos da competição. Depois do apito final, uma briga generalizada envolveu jogadores das duas equipes e posteriormente alcançou também outros setores do estádio.

Confusão entre Platense e Fluminense motivou pergunta
O episódio de 2017 voltou à discussão por causa das cenas registradas recentemente na Argentina.
Após a classificação do Fluminense para a semifinal da Libertadores diante do Platense, no dia 15 de setembro, jogadores e integrantes das comissões técnicas se envolveram em uma confusão no gramado. Torcedores do clube argentino também invadiram o campo, enquanto outro tumulto aconteceu no setor destinado aos visitantes. O zagueiro Freytes, do Fluminense, sofreu uma tentativa de agressão.
Para Felipe, parte da resposta passa pela segurança oferecida nos estádios.
“É entender um pouquinho como é feita a segurança do processo todo, né? Porque não pode o torcedor invadir o gramado, não pode, quando nós estávamos lá, por exemplo, dirigentes do clube ficarmos no campo à mercê dos outros jogadores, né? Então, assim, é melhorar um pouco mais o entorno para que isso não possa acontecer.”
Os incidentes do jogo entre Platense e Fluminense também provocaram consequências fora da Libertadores. A Aprevide, órgão responsável pela segurança esportiva na província de Buenos Aires, determinou que o Platense dispute partidas com portões fechados após o ocorrido.
Libertadores Experience acontece na Enseada de Botafogo
A declaração foi dada durante a CONMEBOL Libertadores Experience, evento realizado entre os dias 16 e 20 de setembro na Enseada de Botafogo, no Rio de Janeiro.
A experiência tem como uma das principais atrações o troféu oficial da Libertadores, além de um Mega Trophy para fotos, espaços imersivos, atividades esportivas, gastronomia, música e a participação de nomes que fizeram parte da história da competição.
O evento funciona das 16h às 22h e tem acesso mediante pré-cadastro. Segundo a Conmebol, a proposta é aproximar os torcedores da história e dos símbolos do principal torneio de clubes da América do Sul.


