Enchente atinge região turística entre Nepal e Tibete; entenda onde fica e o que aconteceu

Área atingida nesta quarta-feira (26) é uma importante passagem pelo Himalaia e recebe turistas em busca de trekking, paisagens de alta montanha e peregrinações ao Monte Kailash

Priorizar nos meus resultados Google

Uma forte enchente atingiu nesta quarta-feira (26) uma região montanhosa na fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China, provocando mortes, desaparecimentos e interrompendo estradas e acessos utilizados também por turistas que percorrem o Himalaia.

O desastre atingiu principalmente áreas do distrito de Rasuwa, no Nepal, e do condado de Gyirong, no Tibete. O balanço divulgado pelas autoridades ainda muda ao longo do dia, enquanto equipes trabalham nas operações de busca e resgate.

Entre os desaparecidos estão centenas de estrangeiros. Parte deles estava na região para realizar trekkings e peregrinações, principalmente em direção ao Monte Kailash, um dos locais considerados sagrados por diferentes religiões asiáticas.

Mas por que essa região recebe tantos viajantes e o que pode explicar uma enchente tão repentina em uma área cercada pelas maiores montanhas do planeta?

Onde aconteceu a enchente?

A área atingida está na fronteira entre o Nepal e a Região Autônoma do Tibete, na China, em pleno Himalaia.

Um dos locais afetados foi Gyirong, importante passagem terrestre entre os dois territórios. O porto fronteiriço teve estradas, energia e comunicações interrompidas após o avanço de lama e detritos.

Do lado nepalês, a região de Rasuwa também foi duramente atingida.

Além de sua importância para o transporte entre Nepal e China, esse trecho do Himalaia está inserido em uma região procurada por viajantes interessados em trekking, montanhismo, turismo de natureza e espiritualidade.

Por que havia tantos turistas na região?

Agosto não está entre os períodos mais favoráveis para alguns dos trekkings tradicionais do Nepal por causa das monções. No Tibete, porém, este é um período importante para as viagens relacionadas ao Monte Kailash.

A montanha fica no oeste do Tibete e possui forte significado religioso. Ela é considerada sagrada principalmente para hindus, budistas, jainistas e seguidores da religião Bön.

Diferentemente de outros grandes picos do Himalaia, o principal objetivo dos visitantes não é chegar ao topo.

Peregrinos realizam um circuito ao redor da montanha, conhecido como kora, em uma jornada de alta altitude que combina esforço físico e significado espiritual.

Entre os estrangeiros que estavam na região atingida nesta quarta-feira há justamente grupos que seguiam para essa peregrinação. Autoridades do Nepal informaram que havia viajantes de países como Índia, Estados Unidos, Austrália, Reino Unido e Canadá entre os desaparecidos.

Região também é conhecida pelos trekkings

Rasuwa está associada a outra importante área turística do Nepal: Langtang.

A região de Langtang é conhecida pelas paisagens de montanha, vilarejos, cultura tibetana e trilhas que atravessam diferentes altitudes do Himalaia.

Outro destino procurado é Gosaikunda, conjunto de lagos de altitude que também possui importância religiosa.

A enchente desta quarta coincidiu com um período de movimentação de visitantes em direção a Gosaikunda por causa do festival Janai Purnima, celebrado nesta semana. Autoridades informaram que nepaleses que faziam trekking na região também estavam entre os desaparecidos.

Ou seja, o local atingido não é simplesmente uma região isolada das montanhas: faz parte de importantes corredores de turismo, peregrinação e circulação entre Nepal e Tibete.

O que pode ter provocado uma enchente tão rápida?

As primeiras análises apontam para um fenômeno típico das grandes regiões montanhosas.

Segundo informações reunidas pela Reuters, uma hipótese investigada é que um terremoto de magnitude 4,4 tenha provocado uma avalanche de gelo e rochas, que atingiu o rio Lhende Khola.

A sequência pode ter provocado um bloqueio temporário do curso da água.

Quando grandes quantidades de gelo, pedras e terra bloqueiam um rio, uma espécie de barragem natural pode ser formada. A água continua se acumulando atrás dela.

Caso essa barreira ceda, o volume represado pode descer rapidamente pelo vale carregando água, lama, pedras e outros detritos.

É uma das hipóteses analisadas para explicar a velocidade e a intensidade do episódio desta quarta-feira. As autoridades, entretanto, continuam investigando a sequência exata dos acontecimentos.

Geleiras tornam o Himalaia uma região especialmente sensível

Existe ainda uma questão ambiental mais ampla.

O Himalaia concentra uma enorme quantidade de geleiras e lagos formados pelo derretimento do gelo. À medida que as temperaturas aumentam e as geleiras recuam, alguns desses lagos podem crescer e se tornar instáveis.

Eventos conhecidos como GLOFs, sigla em inglês para Glacial Lake Outburst Floods, acontecem quando grandes volumes de água armazenados em lagos glaciais são liberados repentinamente.

Isso não significa que já seja possível atribuir a enchente desta quarta-feira diretamente às mudanças climáticas. A causa específica do episódio ainda está sendo investigada.

O histórico, porém, preocupa pesquisadores.

A mesma região registrou uma forte inundação no ano passado, quando o transbordamento de um lago glacial no Tibete danificou infraestrutura e uma ponte que fazia a ligação entre Nepal e China.

Turismo no Himalaia exige atenção às condições naturais

O episódio desta quarta-feira também chama atenção para uma característica das viagens pelo Himalaia.

A beleza das montanhas, dos lagos e das geleiras que atrai visitantes do mundo inteiro está associada a um ambiente de alta altitude e condições naturais que podem mudar rapidamente.

Deslizamentos, avalanches, chuvas de monção, enchentes repentinas e alterações nas condições das trilhas podem interferir em deslocamentos.

Para quem pretende viajar para regiões montanhosas do Nepal ou Tibete, especialmente durante períodos de monções, acompanhar alertas meteorológicos e orientações das autoridades locais passa a ser parte importante do planejamento.

Enquanto as equipes trabalham nas buscas nesta quarta-feira, o episódio coloca novamente sob atenção internacional uma região que reúne algumas das paisagens mais conhecidas do planeta e recebe todos os anos viajantes atraídos pela combinação de natureza, aventura, cultura e espiritualidade.

Mais notícias

+
- Publicidade -
- Publicidade -

Veja também