A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia contra o presidente do Corinthians, Augusto Melo, no chamado “Caso VaideBet“, envolvendo o polêmico contrato com a casa de apostas. A decisão transforma o dirigente em réu em um processo que apura possíveis crimes de associação criminosa, furto qualificado e lavagem de dinheiro.
Na manhã desta quarta-feira (23), a equipe de defesa de Augusto Melo divulgou nota oficial contestando a legalidade da ação e reforçando a inocência do dirigente. Segundo o comunicado, a denúncia é baseada em acusações falsas e o processo seria “ilegal e repleto de nulidades e abusos”, citando, entre outros pontos, o acesso a dados do Coaf sem autorização judicial e a atuação indevida da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo em um caso que, segundo a defesa, deveria estar sob responsabilidade da Polícia Federal e do Ministério Público Federal por envolver contrato internacional.
“O presidente Augusto Melo nada deve e nada teme. Já solicitou o fim do sigilo para que a torcida corinthiana tenha acesso à íntegra dos documentos da ação”, afirma a nota.
Ainda segundo a defesa, está em curso uma investigação defensiva regulamentada pela OAB, que comprovaria a inocência de Melo. O presidente afirma que segue comprometido com a reorganização financeira do clube e critica adversários políticos por sua saída do cargo.
Entenda o caso VaideBet
O Corinthians anunciou no dia 6 de janeiro de 2024 a assinatura de um contrato de patrocínio master com a casa de apostas Vai de Bet, avaliado em R$ 370 milhões por três anos — R$ 120 milhões anuais, mais R$ 10 milhões em luvas pela assinatura. O acordo foi considerado o maior da história do futebol brasileiro até então.
Contudo, investigações da Polícia Civil de São Paulo identificaram irregularidades na intermediação do contrato. O presidente Augusto Melo foi indiciado, o que desencadeou uma crise institucional no clube.
Diante das denúncias, a VaideBet optou por rescindir unilateralmente o contrato em 7 de junho de 2024, alegando que a continuidade da parceria havia se tornado “excessivamente onerosa”, devido à associação de seu nome ao escândalo.
As suspeitas se intensificaram após reportagem publicada pelo Blog do jornalista Juca Kfouri, revelando que parte das comissões recebidas pela empresa intermediadora teriam sido repassadas para a Neoway Soluções Integradas em Serviços LTDA, supostamente uma empresa “laranja”. A Polícia Civil apurou que cerca de R$ 1,074 milhão foi desviado para a UJ Football Talent, organização com ligações ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Com base nas denúncias e no impacto da repercussão, a casa de apostas alegou justa causa para a rescisão, citando “falta de esclarecimento satisfatório” por parte do clube e “suspeitas éticas na relação”.


