Uma cafeteria criada em Rio Branco, no Acre, quer inverter a lógica tradicional de expansão do franchising brasileiro.
A Coffee House anunciou um plano de crescimento nacional com foco inicial nas regiões Norte e Nordeste, movimento ainda pouco comum em um setor historicamente concentrado no eixo Sul-Sudeste.
Com suporte da Global Franchise, a estratégia prevê a abertura de 20 unidades até o fim de 2028. O investimento médio por operação é de R$ 270 mil, com foco em um modelo escalável e adaptável a diferentes perfis de mercado.
Na primeira fase, a rede prioriza capitais e cidades-polo como Manaus, Belém, Porto Velho, Macapá, Boa Vista, Santarém, Palmas, Salvador, Fortaleza, Recife, Maceió, Teresina, Natal e São Luís.
A escolha considera o crescimento econômico dessas regiões, o avanço do turismo e o fortalecimento do consumo local.
O plano de expansão parte de uma base já validada. A unidade piloto, em Rio Branco, supera R$ 1,6 milhão de faturamento anual, com níveis de rentabilidade considerados competitivos dentro do segmento de alimentação.
O desempenho chamou a atenção da Global Franchise, que identificou na operação um modelo com processos estruturados e potencial de replicação.
Segundo Artur Larangeira, COO da consultoria, o projeto rompe com um padrão histórico do setor.
“O mercado brasileiro ainda carrega a ideia de que marcas precisam nascer ou se consolidar primeiro no Sudeste para depois ganhar escala nacional. A Coffee House mostra o contrário, com uma operação versátil e nível de qualidade comparável ao de grandes redes internacionais”, afirma.
O movimento ocorre em um cenário de crescimento do setor. Dados da Associação Brasileira de Franchising indicam que o franchising faturou R$ 273,1 bilhões em 2024, com alta de 13,5% em relação ao ano anterior, impulsionado principalmente pelos segmentos de alimentação e serviços.
Apesar da expansão, a concentração geográfica ainda é uma característica marcante do mercado, com predominância de redes originadas no Sudeste. Nesse contexto, a estratégia da Coffee House busca justamente inverter essa lógica, posicionando o Norte como ponto de partida para crescimento nacional.
Além do recorte regional, o modelo de negócio também se diferencia pela operação multiformato. A proposta integra cafeteria, salgaderia, doceria, restaurante, lanchonete e drinkeria em um único ambiente, ampliando as fontes de receita e o ticket médio.
O cardápio foi desenvolvido com flexibilidade para adaptação local. A rede prevê que até 30% das opções possam ser ajustadas com ingredientes e pratos regionais, fortalecendo a conexão com o público. Outro pilar é a produção própria, que garante maior controle de qualidade, eficiência logística e margens mais atrativas para os franqueados.
Para a Global Franchise, o projeto representa um exemplo de expansão a partir de polos emergentes do varejo nacional.
“O investidor dessas regiões é exigente e busca negócios com identidade, produto fresco e rentabilidade real. A Coffee House reúne essas características ao combinar o DNA acolhedor do Norte com um modelo de gestão estruturado para crescimento nacional”, conclui Larangeira.

