O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, apresentou ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP) sua defesa no caso envolvendo a contratação da empresa Bear Security Ltda., após a denúncia por apropriação indébita continuada.
Stabile afirma que passou a temer por sua segurança e pela de sua família após ser ameaçado em diversas ocasiões por torcedores do Timão, especialmente depois da decisão de não renovar o contrato do atacante Memphis Depay.
Segundo o documento apresentado pelos advogados do dirigente e obtido pela ESPN, a contratação da empresa de segurança foi uma medida de proteção relacionada ao exercício da presidência do clube. A defesa sustenta que a despesa era de conhecimento da instituição e que a segurança se tornou necessária diante do cenário de ameaças.
HISTÓRICO DE CONFLITOS COM A TORCIDA
Na defesa enviada ao MP-SP, Stabile relembrou episódios de conflito envolvendo dirigentes, jogadores e torcedores do Corinthians. Entre os casos citados estão agressões contra o jogador Luan, ameaças dirigidas ao goleiro Cássio e à sua família e manifestações realizadas no Parque São Jorge.
A defesa também mencionou invasões e ocupações da sede social do clube ao longo de 2025. Para os advogados do presidente, esses episódios fazem parte de um histórico de hostilidade que continuaria atingindo a atual administração.
O dirigente também afirmou que registrou uma notícia-crime na Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (Drade), solicitando investigação sobre as ameaças e a identificação dos responsáveis.
AMEAÇAS TERIAM PIORADO APÓS DECISÃO DE NÃO RENOVAR COM DEPAY
De acordo com o documento apresentado pela defesa, a situação teria se agravado em agosto de 2026. Stabile relatou que faixas com a mensagem “acabou a paz” foram colocadas no portão da residência onde mora.
O presidente também afirmou ter sido alvo de intimidações envolvendo armas de fogo e facas, além do vazamento de informações pessoais e bancárias dele e de familiares. A defesa afirma ainda que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) chegou a publicar uma manifestação de repúdio aos episódios.
>> Confira a nota completa da CBF
O caso teria ganhado ainda mais intensidade durante a discussão sobre a permanência de Memphis Depay no Corinthians. Conforme os advogados, Stabile recebeu milhares de mensagens com ameaças de morte, algumas acompanhadas de imagens de armas e facas.
ENTENDA A DENÚNCIA DO MINISTÉRIO PÚBLICO
O Ministério Público de São Paulo denunciou Osmar Stabile à Justiça por apropriação indébita continuada. Segundo o promotor Cássio Conserino, o presidente teria utilizado recursos do Corinthians para custear uma segurança particular.
A investigação envolve a Bear Security Ltda., empresa que, segundo o MP-SP, prestava serviços de segurança pessoal para o dirigente. A Promotoria aponta ainda que a companhia não teria a autorização necessária da Polícia Federal para exercer esse tipo de atividade.
Outro ponto destacado na denúncia é que a empresa teria o Corinthians como único cliente desde sua criação. O MP-SP também aponta pagamentos à empresa entre julho de 2025 e agosto de 2026.
VALORES E MEDIDAS COBRADAS NA DENÚNCIA
Na denúncia, o Ministério Público solicitou o bloqueio de bens de Stabile no valor de R$ 721.194,66, com o objetivo de garantir o ressarcimento aos cofres do Corinthians. A Promotoria também pediu o pagamento de R$ 540.895,99 por danos morais relacionados ao suposto impacto institucional e reputacional causado ao clube.
Além das questões financeiras, o MP-SP pediu medidas cautelares contra Stabile, incluindo a proibição de acesso às dependências do Corinthians, restrições de contato com testemunhas e dirigentes, suspensão de funções de representação institucional e impedimento de deixar o país sem autorização judicial. Também foi solicitado que o dirigente não possa realizar viagens dentro do país por mais de oito dias sem autorização judicial.
No momento, o caso segue em andamento. A denúncia ainda precisa ser analisada pela Justiça, que decidirá se a aceita. Stabile nega que tenha se apropriado de valores do clube e afirma que a contratação da segurança ocorreu em razão do exercício da presidência e das ameaças que, segundo ele, sofreu.


